
texto de Josélia Neves.
Sempre que alguém descreve alguma coisa verbalmente estará a fazer audiodescrição. Como tal, será absolutamente impossível traçar um historial que dê conta das variadíssimas manifestações de audiodescrição possíveis ou existentes.
A audiodescrição faz-se particularmente presente em contextos em que pessoas normovisuais convivem de forma estreita com pessoas cegas ou com baixa visão. De modo espontâneo ou organizado, são muitas as audiodescrições que se fazem no seio da família, na escola, em centros ocupacionais e de recuperação, em clubes ou em manifestações culturais de diversa índole especialmente direccionada para estes públicos específicos.
As raízes da audiodescrição em Portugal encontram-se em dois fenómenos populares que marcam o presente e o passado recente da cultura portuguesa. O primeiro, é o relato de jogos de futebol, que muito continuam a contribuir para uma fruição mais completa desta modalidade. O segundo, de tradição quase extinta, é a rádio novela, que durante anos povoou o imaginário de várias gerações. Um e outro, naquilo que têm em comum com as práticas de AD actuais e naquilo que dela se separam, trazem do passado técnicas que bem podiam ainda ser aproveitadas neste domínio.
Não sendo possível desenhar, de forma completa, a história da audiodescrição em Portugal pelo facto de muito se dar de forma espontânea e/ou amadora em círculos mais restritos, traçar-se-á aqui apenas a história recente da audiodescrição nos contextos de comunicação de massas de cariz comercial e de acções em espaços públicos.
Saiba mais sobre a audiodescrição em Portugal