ERC recomenda as WCAG 2.0 aos Operadores de Televisão

Entidade Reguladora para a Comunicação Social

A ERC – Entidade Reguladora para a Comunicação Social aprovou, em finais de 2014, o Plano Plurianual que define um conjunto de obrigações relativas à acessibilidade dos serviços de programas televisivos e dos serviços audiovisuais a pedido por pessoas com necessidades especiais.

Nesta deliberação destacamos a recomendação 11.8 que abaixo se transcreve e que diz respeito à adoção das Web Content Acceessibility Guidelines do W3C pelos operadores de serviços audiovisuais.

Ler mais sobre ERC recomenda as WCAG 2.0 aos Operadores de Televisão

Iniciativa Nacional em Acessibilidade Web – uma visão retrospetiva

Símbolo de Acessibilidade à Web

Portugal foi o primeiro Estado-Membro a adotar formalmente as WCAG 1.0 do W3C em 26 de agosto de 1999 (RCM nº 97/99 de 26 de agosto).

Em termos legais existem 3 momentos a reter na história da acessibilidade Web em Portugal. O primeiro em 1999 com a RCM n.º 97/99 de 26 de outubro, o segundo em 2007 com a RCM n.º 155/2007 de 2 de outubro e o terceiro em 2011 com a Lei n.º 36/2011 de 21 de junho, complementado em 2012 pela publicação do Regulamento Nacional de Interoperabilidade Digital através da RCM n.º 91/2012 de 8 de novembro.

Em 1999 não se fazia referência explícita às WCAG do W3C. Em 2007 faz-se referência explicita às WCAG 1.0 e em 2012, aquando da publicação do RNID, é feita uma referência explícita à obrigatoriedade de se usarem as WCAG 2.0 do W3C.

Ler mais sobre a Iniciativa Nacional em Acessibilidade Web

Fórum para a Sociedade da Informação – Acessibilidade Web 2015

A Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT) e a Associação para a Promoção e Desenvolvimento da Sociedade da Informação (APDSI) coorganizam o Fórum para a Sociedade da Informação – Acessibilidade Web, a decorrer no próximo dia 3 de Dezembro – Dia Internacional das Pessoas com Deficiência.

Este evento visa lançar um amplo debate sobre as necessidades de acessibilidade web que os cidadãos com alguma deficiência ou incapacidade apresentam e quais as ideias, medidas e projetos que estão a ser discutidos e implementados atualmente para colmatar esta situação.

Os temas a abordar incluem-se em dois painéis: Usabilidade e Acessibilidade: dois facilitadores de Literacia Digital, e Ferramentas, Autores e Conteúdos. Haverá ainda um momento para entrega dos Prémios de Boas Práticas em Acessibilidade WEB – 2015.

A Acessibilidade Web consiste em possibilitar que todas as pessoas com necessidades especiais possam percecionar, perceber, navegar e interagir com a Web. De acordo com dados da Comissão Europeia, existem cerca de 50 milhões de cidadãos europeus com deficiências que necessitam que lhes seja possibilitado o acesso ao conteúdo Web (UE 2010). Segundo fonte da Confederação Nacional dos Organismos de Deficientes (CNOD 2010), existem em Portugal cerca de um milhão de pessoas com deficiência.

A acessibilidade Web pode ser analisada segundo várias dimensões: ética – no que respeita aos direitos à igualdade de acesso, social – tendo em conta o envelhecimento da população e económica – tendo por base o potencial económico de todas as pessoas envolvidas.

A participação na conferência é gratuita, mas sujeita a inscrição prévia e condicionada à disponibilidade de lugares na sala.

  • Data: 3 de dezembro de 2015, 14:30-18:00
  • Local: Sala Polivalente da Fundação Portuguesa das Comunicações, Lisboa
  • Inscrições: Através de Formulário Online
  • Descarregar Programa | PDF 150KB

IGF 2015: Observatório da Acessibilidade Web – o caso de Portugal

IGF 2015

O tema da Acessibilidade Web está mais uma vez presente no Fórum para a Governação da Internet (IGF), que desta feita terá lugar em João Pessoa no Brasil, de 10 a 13 de novembro 2015.

O Workshop Observatório da Acessibilidade Web – o caso de Portugal está a cargo da Unidade ACESSO/DSI da FCT.

Esta sessão aborda o caminho da Acessibilidade Web em Portugal como um caso pioneiro nesta área, até aos atuais sistemas de monitorização, nomeadamente o validador português – AccessMonitor.

Esta ferramenta de validação apresenta relatórios de práticas compreensíveis, com identificação precisa do problema, destacando as possíveis soluções e remetendo para os recursos relevantes com a finalidade de se ultrapassarem as barreiras em acessibilidade. Mais do que detetar erros, as ferramentas desenvolvidas por Portugal têm o objetivo de distinguir boas e más práticas.

Será colocado em debate a utilização do AccessMonitor na criação de um Observatório de Acessibilidade Web, como ferramenta de sensibilização para a acessibilidade do conteúdo web.

O Workshop realiza-se dia 11 novembro, das 12:00 às 12:45h (hora em Portugal), com a possibilidade de participação por via remota.

EuroDIG 2015: FCT discute acessibilidade digital e inclusão no Fórum Europeu sobre Governação da Internet

A Governação da Internet foi um dos temas mais controversos da World Summit on the Information Society, evento levado a efeito pela Organização das Nações Unidas que ocorreu em dois momentos: 2003 e 2005. Desde logo se percebeu que a discussão sobre Governação da Internet se teria de articular num palco de diálogo político multistakeholder. Apesar de não ter qualquer tipo de mandato com poderes de decisão, o Internet Governance Forum (IGF) acaba por influenciar a decisão de todos os que têm efetivo poder de decisão. O IGF ajuda a criar uma consciência coletiva relativa a como maximizar as oportunidades da Internet e a como lidar com os riscos e as mudanças que nela ocorrem.

A Assembleia Geral das Nações Unidas criou (resolução 60/252) um mandato para o IGF de 5 anos (2006 – 2010) e em 2010 renovou-o (resolução 65/141) por um período de mais 5 anos (2011-2015). O EuroDIG, criado em 2008, acaba por transpor o plano da discussão global do IGF para a Europa, centrando-a mais num plano pan-europeu.

Para a edição de 2015 do EuroDIG – o Fórum Europeu para a Governação da Internet – a FCT está a organizar dois WorkShops sobre acessibilidade digital e inclusão. Na linha do que fez na edição de 2013 em Lisboa e na edição de 2014 em Berlim, a equipa da Unidade ACESSO do Departamento de Sociedade da Informação da FCT leva agora a Sofia, capital da Bulgária, a reflexão sobre acessibilidade digital e inclusão ao maior fórum Europeu da Governação da Internet: o EuroDIG.

Para o EuroDIG 2015, com o lema “Shaping the Internet together”, estamos a preparar:

5 recomendações (e mais uma) a observar na descrição de Obras d’Arte

A refeição do homem cego - Pablo Picasso (1903)

Pablo Picasso: A Refeição do Homem Cego (1903) | The Metropolitan Museum of Art.

Esta impressionante pintura é um dos quadros mais tocantes do Período Azul de Pablo Picasso, denominado assim pela coloração azul que atravessava o seu trabalho na altura (Outono 1901 – meados de 1904).

Frequentemente representava figuras solitárias posicionadas em fundos vazios. A paleta azul transmite um ambiente de melancolia e de desolação às imagens que sugerem tristeza, desânimo, pobreza, prostração e desespero. Entre os temas, os que mais predominavam eram os idosos, os desamparados, os cegos, os sem-abrigo, e outros excluídos da sociedade.

A Refeição do Homem Cego, pintado em Barcelona no Outono de 1903, resume as características estilísticas do Período Azul de Picasso: desenho rigoroso, composições e formas simples hieráticas e como é óbvio uma tonalidade de azul. A obra apresenta uma figura desamparada sentada perante uma humilde refeição. Numa carta, preservada na colecção Barnes em Merion, na Pennsylvania, Picasso faz uma descrição muito precisa sobre a obra:

“Estou a pintar um homem cego à mesa. Segura um pouco de pão com a sua mão esquerda e tateia com a sua mão direita um jarro com vinho.”

Uma tigela vazia e um guardanapo branco completam a natureza morta na mesa. A figura do homem tenuemente contornada, de mãos compridas e finas ao estilo de El Greco, o ambiente sem adornos, e a sua cegueira tornam a sua condição de oprimido em tudo mais aguda. Os pontos de luz na sua face e pescoço, mãos, pão e guardanapo realçam a figura contrastando com o fundo austero.

A pintura não é meramente um retrato de um homem cego; é também a observação de Picasso sobre o sofrimento humano em geral. A pobre refeição de pão e vinho convida à referência da figura de Cristo e ao principal dogma da fé Católica, onde o pão e o vinho representam o corpo e o sangue de Cristo, associações sacramentais que Picasso como Espanhol conheceria. Adicionalmente, podem-se extrair afinidades da obra com a própria situação de Picasso nessa altura, quando empobrecido e deprimido, se identificava estreitamente com os desgraçados da sociedade.

Desenvolver descrições visuais de qualidade é uma tarefa morosa que deve ser feita cuidadosamente por pessoas que escrevam bem e que tenham conhecimentos na área da edição. Em 2001, Susan Anable fez um pequeno guia com 6 recomendações que a equipa da Unidade ACESSO então traduziu para português e a que deu o nome de “5 recomendações e mais uma”.

Leia as 5 recomendações (e mais uma) a observar para descrever Obras de Arte

Leitura eletrónica em ascensão

Leitores de todas as idades estão a descobrir o poder e a conveniência dos livros eletrónicos. Os resultados de um estudo recente da Pew Research Center mostra que a leitura de e-Books está em ascensão em todos os grupos etários. Ao mesmo tempo, a leitura de livros em papel está em queda. Mais de metade da população americana continua a ler livros físicos, mas a percentagem de leitores de e-Books tem crescido dramaticamente. Quase 1/4 dos leitores com mais de 16 anos dizem ter lido um e-Book em 2012, um crescimento de 16% face a 2011.

Este crescimento na leitura de e-Books coincide com o crescimento da popularidade dos eReaders, tablets, e outros dispositivos. 1/3 desses entrevistados reportaram ter pelo menos um eReader ou um tablet.

À medida que os leitores tomam consciência das coleções digitais disponíveis nas bibliotecas, a popularidade do empréstimo de e-Books continua a subir. Os leitores levantaram mais de 70 milhões de e-Books e áudiolivros das bibliotecas OverDrive em 2012, mais do dobro do que ocorreu em 2011. As bibliotecas da rede OverDrive vêem crescer a circulação digital, mais páginas vistas, mais envolvimento com e-Books, áudiolivros, música e vídeo. Ver mais em Blogue OverDrive: eReading on the rise.

Legendagem em Televisão no Reino Unido – os desafios que faltam

Red Bee Media

Nos seis primeiros meses de 2012, 18 canais no Reino Unido legendaram mais de 90% da sua emissão. Para além disto, 39 canais legendaram entre 70% a 90%.

Com o acréscimo esperado para 2014, fruto das obrigações legais, parece que a batalha da quantidade está ganha. Esta realidade contrasta com o que se passa em toda a Europa e mesmo no mundo, fazendo do Reino Unido um verdadeiro líder no setor.

“Tentem, por exemplo, procurar um único conteúdo legendado num dos canais comerciais existentes na Alemanha e saberão do que estou a falar!”

[Red Bee]

Ler o Livro Branco “Subtitling on British Television – the remaining challenges”.

60 mil horas / ano de serviços acessíveis para televisão

Red Bee - uma boa prática em conteúdos televisivos

David Padmore, diretor da Red Bee Media, empresa responsável pelos serviços de acessibilidade disponibilizados pelo operador público de televisão no Reino Unido – BBC – vem a Portugal no próximo dia 25 de novembro. Ele integra o painel de especialistas internacionais convidados pelo GMCS para o III Colóquio Media e Deficiência que este ano tem por tema “Acessibilidade aos Meios Audiovisuais – da cidadania ao modelo de negócio”.

A Red Bee Media é dos maiores operadores Europeus a trabalhar no setor da tradução audiovisual acessível para televisão. A Red Bee Media opera no Reino Unido, França, Alemanha e Austrália. Só para o Reino Unido, o contrato assinado até 2019 com a BBC, prevê a produção de 60 mil horas por ano de língua gestual, legendagem e audiodescrição.

A acessibilidade em televisão é um dos vetores de inovação para o século XXI, cada vez mais ambicionada pelos espectadores. Uma vantagem comparativa a que os operadores não podem ficar indiferentes e que cada vez mais é uma variável de negócio a ter em conta.

Estudo Europeu sobre acessibilidade Web mostra que Portugal está na média da UE27

Portugal com classificação média ligeiramente acima dos 50%

Figura 1: Pontuação Global (em % da pontuação máxima possível por cada país)

O relatório final Study on Assessing and Promoting e-Accessibility” (PDF, 3,3MB) mostra que os sítios da Administração Pública portuguesa se encontram na média dos Estados Membros da UE a 27.

Dois anos depois de ter surgido em 2º lugar num ranking de 192 países, Portugal descola da Alemanha e cai para a média da UE27. Uma bateria de testes singular em estudos de acessibilidade e uma mudança da avaliação de automática para manual pericial, poderá estar na base de uma posição mais crítica de Portugal. Alemanha ocupa o 2º lugar, o que indicia que poderá ter uma realidade capaz de resistir a qualquer metodologia de análise.

A pontuação global obtida por Portugal está ligeiramente acima dos 50%, similar à média da UE27, 20% abaixo dos melhores e 20% acima do “lanterna vermelha”. Os 3 melhores são Reino Unido, Alemanha e República Checa. Grécia, Letónia e Chipre ocupam a cauda. Na vizinhança de Portugal, temos a Dinamarca e a Holanda.

Ler mais sobre acessibilidade web mostra que Portugal está na média da UE27