BNP lança o Repositório Nacional de Objetos em Formatos Alternativos

RNOFA - Repositório Nacional de Objetos em Formatos Alternativos

No passado dia 2 de julho a Biblioteca Nacional de Portugal colocou online o RNOFA – Repositório Nacional de Objetos em Formatos Alternativos.

O RNOFA conta com o apoio da Fundação para a Ciência e a Tecnologia. O Departamento da Sociedade da Informação da FCT, no qual a Unidade ACESSO está integrada, financiou toda a infraestrutura necessária para colocar esta importante ferramenta de apoio em funcionamento.

Há muito que a equipa da Unidade ACESSO da FCT persegue o objetivo de criar em Portugal um canal de distribuição de livros acessíveis. Esse objetivo intensificou-se em setembro de 2010 aquando da assinatura do Memorando de Entendimento entre os principais editores europeus e as instituições europeias representantes de pessoas com deficiência. Na mesma linha a equipa da Unidade ACESSO acompanhou de perto o Tratado de Marraquexe e foi quem o traduziu para a língua portuguesa.

A Fome de Livros, um termo cunhado por George Kersher do consórcio DAISY expressa-se no facto de que no mundo desenvolvido, todos os anos, do total de livros publicados apenas 7% são adaptados para um formato acessível para pessoas com incapacidade para ler ou manusear material impresso. Na Europa, nos Estados Unidos, no mundo desenvolvido, as pessoas com incapacidade para ler ou manusear material impresso têm a sorte de ter acesso a 7% dos livros publicados nos seus países, pois no mundo em vias de desenvolvimento, esta percentagem é bastante mais próxima do 1%. Isto é um problema, principalmente quando se sabe, segundo dados da União Mundial de Cegos, que 80% das pessoas cegas e com baixa visão a nível mundial vivem no mundo em vias de desenvolvimento. Significa isto que há milhões de pessoas que vivem sem acesso à palavra escrita. E isto não se deve à falta de capacidade tecnológica.

Os repositórios digitais como o RNOFA são um importante instrumento de inclusão. Com a sua abertura, o RNOFA disponibiliza desde já 3724 livros em braille impresso, 307 livros em braille digital, 2198 audiolivros e 1098 livros em texto digital, produzidos pela Área de Leitura para Deficientes Visuais da Biblioteca Nacional de Portugal (BNP-ALDV).

O RNOFA está aberto a novos produtores e distribuidores de acervo acessível, o que irá adensar o seu catálogo de oferta. No dia 2 de julho assinaram protocolo de cooperação o Instituto Nacional para a Reabilitação, I.P, a Associação dos Cegos e Amblíopes de Portugal e o Centro Professor Albuquerque e Castro da Santa Casa da Misericórdia do Porto. Irão brevemente também assinar, a Biblioteca Municipal do Porto e a Biblioteca Municipal de Vila Nova de Gaia.

W3C/WAI publica Recomendação com as WCAG 2.1

No passado dia 5 de junho de 2018, o Grupo de Trabalho para as Diretrizes de Acessibilidade publicou a Recomendação W3C para a versão 2.1 das Diretrizes de Acessibilidade para Conteúdo Web (WCAG 2.1).

Todos os requisitos (“critérios de sucesso”) da versão 2.0 estão incluídos na versão 2.1. Os critérios de sucesso da versão 2.0 foram transpostos para a versão 2.1 exatamente com o mesmo texto.

Aos 61 critérios de sucesso da versão 2.0 foram adicionados mais 17, perfazendo um total de 78 requisitos.

Os 17 requisitos adicionais da versão 2.1 destinam-se a resolver situações nas seguintes 3 áreas:

  • acessibilidade móvel
  • pessoas com baixa visão
  • pessoas com incapacidade cognitiva e de aprendizagem

Pode consultar:

Global Accessibility Awareness Day

Hoje é o Dia Global da Sensibilização para a Acessibilidade. A Unidade ACESSO, através do seu coordenador Jorge Fernandes, a convite da empresa SiteImprove e da embaixada da Dinamarca, em Lisboa, participa de um evento em que se vai falar de acessibilidade dos conteúdos dos sítios Web e das aplicações móveis. A sua apresentação versa sobre o tema da transposição para o ordenamento jurídico português da Diretiva (UE) n.º 2016/2102 – DO PARLAMENTO EUROPEU E DO CONSELHO de 26 de outubro de relativa à acessibilidade dos sítios Web e das aplicações móveis de organismos do setor público.

Ficheiros descarregáveis com a apresentação “20 anos de acessibilidade Web para Cidadãos com Necessidades Especiais em Portugal – a nova lei da acessibilidade digital em Portugal”:

PDFs em formato Universal Access a partir do Google Docs

Materiais Educativos em formatos Acessíveis - aluno cego lê um livro num tablet através do sintetizador de fala

A produção de ficheiros em formato PDF que possam ser lidos por utilizadores que usam tecnologias de apoio não é uma tarefa fácil. Apesar de existir uma norma já desde 2012 e atualizada em 2014 (ISO 14289-1:2014 – PDF/UA) que descreve com detalhe quais os cuidados a ter para que um documento digital possa ser acessível, o problema reside em localizar um editor de texto que comporte estas práticas e que, no momento da conversão para formato PDF, os conversores disponíveis não destruam essas práticas – resultando num PDF final completamente inacessível.

A GrackleDocs.com propõe um processo de produção muito simples. Partindo do editor Google Docs online, disponibilizou um “add-on” que valida o documento, orienta a correção e, no final do processo, disponibiliza a opção de conversão de um documento Google Docs num documento em formato PDF/UA. UA é a abreviatura de Acessibilidade Universal, preservando este PDF uma ordem de leitura adequada por exemplo a quem usa leitores de ecrã com sintetizadores de fala, preserva a estrutura de cabeçalhos, parágrafos, tabelas de dados, bem como os equivalentes textuais alternativos dos gráficos e diagramas. Durante o processo de revisão o sistema ainda chama a atenção para as cores usadas na letra e no fundo, e ainda para o tamanho da letra a usar.

Uma excelente ferramenta para quem precisa de produzir ficheiros PDF em conformidade para com as Web Content Accessibility Guidelines. Esperemos que a Google e outros grandes fabricantes de aplicações de edição e gestão de conteúdos digitais sigam o exemplo.

Novo RNID, os mesmos requisitos de acessibilidade Web obrigatórios

A PCM publicou um novo Regulamento Nacional de Interoperabilidade Digital (RCM n.º 2/2018, de 5 janeiro). O RNID é o regulamento nacional que, desde a sua primeira versão publicada em 2012, obriga as entidades públicas a usarem, nos seus conteúdos Web, os requisitos de acessibilidade do W3C.

Na versão agora publicada não existe nada de novo em termos de requisitos de acessibilidade, a não ser a referência ao facto de as Diretrizes de Acessibilidade para Conteúdo Web se terem, entretanto, tornado também norma ISO/IEC – elas surgem agora com a referência WCAG 2.0 ou ISO/IEC 40500:2012.

Recorde-se então os níveis de conformidade a observar.

Na Tabela III da RCM n.º 2/2018 pode-se ler:

Requisitos de acessibilidade Web obrigatórios:

  • Nível de acessibilidade para sites Internet que disponibilizam exclusivamente informação e conteúdos: nível ‘A’ das WCAG 2.0 ou ISO/IEC 40500:2012;
  • Nível de acessibilidade para sites Internet que disponibilizam serviços online: nível ‘AA’ das WCAG 2.0 ou ISO/IEC 40500:2012.

Requisitos de acessibilidade Web recomendados:

  • Nível de acessibilidade para sites Internet que disponibilizam exclusivamente informação e conteúdos: nível ‘AA’ ou ‘AAA’ das WCAG 2.0 ou ISO/IEC 40500:2012;
  • Nível de acessibilidade para sites Internet que disponibilizam serviços online: nível ‘AAA’ das WCAG 2.0 ou ISO/IEC 40500:2012.

Quanto às entidades públicas abrangidas, da consulta ao artigo 2.º da Lei n.º 36/2011, de 21 de junho, que estabelece a adoção de normas abertas nos sistemas informáticos do Estado, verifica-se que os requisitos são aplicáveis aos:

  • Órgãos de soberania;
  • Serviços da administração pública central, incluindo institutos públicos e serviços desconcentrados do Estado;
  • Serviços da administração pública regional;
  • Sector empresarial do Estado.

FCT integra consórcio do projeto WAI-Tools

Bandeira da União Europeia

WAI-Tools

projeto co-financiado pela Comissão Europeia
programa Horizon 2020 – Innovation Action
GA 780057

A Unidade ACESSO da FCT é parceiro do projeto WAI-Tools – Advanced Decision Support Tools for Scalable Web Accessibility Assessments, um projeto co-financiado pela Comissão Europeia ao abrigo do Programa Horizon 2020 (GA 780057). O WAI-Tools iniciou-se a 1 de novembro de 2017 e tem a duração de três anos.

Portugal e a Noruega participam no projeto com os seus Observatórios de Acessibilidade Web para a Administração Pública. No caso da Noruega com uma metodologia de análise manual pericial e no caso de Portugal com uma metodologia de análise automática. Com o WAI-Tools, o AccessMonitor irá experimentar uma nova bateria de testes que resultará do próprio projeto. Para além disso vai ser possível (re)utilizar o código fonte do AccessMonitor nomeadamente para dar corpo a Observatórios semelhantes em vários países.

Referências:

A comunicação do turismo acessível: um estudo sobre as atrações turísticas da cidade do Porto

Cidade do Porto - vista do Rio Douro, à noite

Autora: Celine Teixeira de Castro

A cidade do Porto, um dos destinos turísticos mais antigos da Europa, é reconhecida pelo seu charme. O seu centro histórico foi classificado em 1996 pela UNESCO como Património Cultural da Humanidade e está atualmente em voga na indústria do Turismo. Eleito por viajantes de todo o mundo como European Best Destination em 2012, 2014 e, mais recentemente, em 2017, o Porto é um destino cada vez mais adequado ao mercado de turismo acessível. No entanto, a imagem projetada no universo da world wide web não reflete a realidade, uma vez que esta mesma acessibilidade não é devidamente difundida nos websites turísticos. A conclusão é do estudo “A comunicação do Turismo Acessível: um estudo sobre as atrações turísticas da cidade do Porto”, realizado no âmbito do Mestrado em Marketing da Faculdade de Economia da Universidade do Porto.

ver artigo – A comunicação do turismo acessível: um estudo sobre as atrações turísticas da cidade do Porto

Porque precisamos de uma forte Lei Europeia da Acessibilidade?

Acessibilidade para todos

Milhões de pessoas na Europa continuam excluídas no seu quotidiano ao utilizarem produtos e serviços básicos, cujo acesso é garantido às outras pessoas, tais como o levantamento de dinheiro numa ATM, entrar no Banco, na escola, na universidade ou em qualquer outro edifício público, utilizar o metro, adquirir um bilhete etc. Encontra-se ainda em fase de discussão a proposta da Lei Europeia da Acessibilidade que poderá tornar muitos produtos e serviços acessíveis na Europa.

O European Disability Forum (EDF) tem levado a cabo uma campanha de sensibilização, junto das instituições europeias, com o intuito de se conseguir uma legislação o mais favorável possível à acessibilidade dos produtos e serviços TIC.

A fim de exemplificar as dificuldades sentidas, o EDF reuniu num vídeo os testemunhos de alguns cidadãos a falarem da sua própria experiência: Link do vídeo no Youtube

Guia da União Mundial de Cegos para o Tratado de Marraquexe

capa da publicação

A União Mundial de Cegos (UMC) tem acompanhado o Tratado de Marraquexe desde o seu início, e em parceria com a Organização Mundial da Propriedade Intelectual (OMPI) tem liderado a campanha internacional para promoção e implementação do tratado.

No seguimento desta linha de atuação, a UMC publicou o Guia para o Tratado de Marraquexe com a intenção de ajudar os governos que ratificaram o tratado a incorporá-lo nos seus sistemas legais. Além disso, é também uma ferramenta útil para as organizações representativas dos direitos das pessoas com deficiência, para outros grupos da sociedade civil ou até para os próprios indivíduos ao advogar a ratificação e implementação do Tratado de Marraquexe.

A publicação encontra-se disponível em Inglês, Espanhol e Francês e pode ser descarregada em: Guia completo.

Está também disponível a versão do Guia de bolso em Inglês.