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title: 2º período de monitorização - Parte II
author: Agência para a Modernização Administrativa, I.P
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## Parte II – Resultados da monitorização

### Monitorização simplificada de sítios web

No total foram analisados 657 sítios web, dos quais se obtiveram  e analisaram 40,215 páginas, correspondendo a uma média de 61 páginas por sítio web. 

#### Distribuição das cláusulas _EN 301 549_ por sítio web na monitorização simplificada

Na [Tabela 6](#T06) é apresentada o número (e percentagem) de sítios web que violam cada cláusula testada.

tabela06.txt

Observando a [Tabela 6](#T06) podemos concluir que houve uma baixa taxa de conformidade face às cláusulas testadas da EN 301 549. As cláusulas com maior índice de não conformidade foram:

- 9.1.3.1 Informações e relações com 98% dos sítios web não conformes;
- 9.4.1.2 Nome, função, valor com 93% dos sítios web não conformes;
- 9.2.4.4 Finalidade da hiperligação (em contexto) com 91% dos sítios web não conformes;
- 9.2.4.1 Ignorar blocos com 91% dos sítios web não conformes;
- 9.1.4.3 Contraste (mínimo) com 88% dos sítios web não conformes;
- 9.1.1.1 Conteúdo não textual com 73% dos sítios web não conformes;
- 9.4.1.1 Análise sintática (parsing) com 57% dos sítios web não conformes.

#### Distribuição das Declarações de Desempenho Funcional _EN 301 549_ por sítio web na monitorização simplificada

Foi analisado o desempenho dos sítios web relativamente às declarações de desempenho funcional. Para isso levou-se em conta as cláusulas que suportam as declarações de desempenho funcional (relações primárias). Para esta análise, com base nas cláusulas avaliadas, foi possível considerar 7 das 11 declarações de desempenho funcional;

A [Tabela 7](#T07) apresenta os resultados obtidos.

tabela07.txt

Observando a [Tabela 7](#T07) podemos concluir que existe um grande índice de não conformidade face às declarações de desempenho funcional, quando avaliadas as cláusulas das relações primárias. A declaração de desempenho funcional com a menor taxa de não conformidade foi:

- Utilização com alcance limitado (LR) com 26% de não conformidade dos sítios web aplicáveis.

#### Distribuição das cláusulas _EN 301 549_ por página web

Na [Tabela 8](#T08) é apresentada o número (e percentagem) de páginas web que violam cada cláusula testada, bem como a média de violações por página do sítio.

tabela08.txt

Observando a [Tabela 8](#T08) podemos concluir que, também ao nível da página, houve uma baixa taxa de conformidade face às cláusulas testadas da EN 301 549. Neste caso, as cláusulas com maior índice de não conformidade foram:

- 9.1.3.1 Informações e relações com 85% das páginas web não conformes;
- 9.1.4.3 Contraste (mínimo) com 80% das páginas web não conformes;
- 9.2.4.4 Finalidade da hiperligação (em contexto) com 65% das páginas web não conformes;
- 9.4.1.2 Nome, função, valor com 59% das páginas web não conformes;
- 9.2.4.1 Ignorar blocos com 55% das páginas web não conformes;

#### Análise dos resultados da monitorização simplificada de sítios web

O método de monitorização simplificada permitiu identificar os incumprimentos mais frequentes das cláusulas da EN 301 549 que foi possível identificar com a ferramenta automática utilizada. Dos incumprimentos destacam-se:

- Os dois problemas mais comuns, que se verificam em pelo menos 80% das páginas testadas, são: 
	- O incumprimento da cláusula “9.1.3.1 Informações e relações” em 85% das páginas web (e 98% dos sítios web) é revelador de vários tipos de problemas que impedem os utilizadores de tecnologias de apoio de ter uma perceção correta do conteúdo e estrutura da página. Exemplos de problemas associados a esta cláusula incluem cabeçalhos sem nome acessível, células de tabelas sem cabeçalhos, utilização incorreta de atributos ARIA ou campos de formulário sem etiquetas.
	- Os sítios web continuam a não respeitar os rácios mínimos de contraste que asseguram a capacidade de leitura do texto apresentado nas suas páginas. Este problema verificou-se em mais de 88% dos sítios web e 80% das páginas web.
- Um segundo conjunto de três problemas verifica-se em mais de 90% dos sítios web, apesar de ter uma prevalência menor ao nível da página. Este conjunto inclui:
	- A cláusula “9.2.4.1 Ignorar blocos”, violada em 91% dos sítios e 55% das páginas web, representa uma dificuldade acrescida para utilizadores de teclado que não têm um mecanismo explícito para evitar ter de navegar a totalidade dos menus, que tipicamente estão presentes no topo das páginas, de modo a puder chegar ao conteúdo principal que pretendem consultar.
	- Os criadores de conteúdo continuam a não criar ligações com uma descrição que permita aos utilizadores compreender o propósito da ligação. Páginas com múltiplas ligações com o mesmo texto (tipicamente uma variação de “Ler mais” ou de “Clique aqui”) existem em 65% das páginas web (e 91% dos sítios web) analisadas e são problemáticas para utilizadores que navegam nas páginas recorrendo às ligações que nelas existem.
	- Problemas relativos à comunicação do nome acessível ou do _role_ de elementos acontecem em 93% dos sítios e 59% das páginas web analisadas. Isto é representativo de uma web em que os conteúdos não são construídos levando em conta as necessidades das tecnologias de apoio. Esta situação impede que estas tecnologias possam comunicar corretamente aos seus utilizadores o conteúdo das páginas que pretendem consultar. 
- Por último, assinala-se a inexistência de descrições alternativas para conteúdo não textual em 73% dos sítios web analisados, apesar de corresponder apenas a 36% das páginas web. Esta má prática, impede os utilizadores que não conseguem ver as imagens de poder utilizar o sítio web em toda a sua plenitude.

##### Comparação dos resultados da monitorização simplificada de sítios web com os resultados do período anterior

Na [Tabela 9](#T09) apresenta-se a comparação da percentagem de sítios web que violam os critérios de sucesso que foram avaliados nos dois exercícios de monitorização. 

tabela09.txt

Pela análise dos resultados apresentados na [Tabela 9](#T09), podemos concluir que a evolução do primeiro para o segundo período de monitorização, não é positiva. Destaca-se o crescimento de violações em duas cláusulas: “9.1.3.1 Informações e relações” e “9.2.1.1 Teclado”. Enquanto que a subida na primeira cláusula poderá ser justificada por mais testes implementados na ferramenta de avaliação, o que permite detetar mais violações, o mesmo não se aplica à segunda cláusula, sendo apenas revelador de menos preocupação em garantir acessibilidade a utilizadores de teclado. 

Pela positiva, de destacar a subida dos níveis de conformidade revelada para as cláusulas do princípio das WCAG “Robusto”, em particular na cláusula “9.4.1.1 Análise sintática (parsing)”. Isto poderá ser representativo da adoção de ferramentas que fazem uma validação sintática do código, e que permitem reduzir erros sintáticos. No entanto, é importante destacar que estes erros sintáticos são corrigidos, na sua maioria, pelos navegadores atuais, daí que o critério de sucesso correspondente nas WCAG tenha sido removido na versão mais recente destas diretrizes.

### Monitorização aprofundada de sítios web

Os resultados descritos nesta secção referem-se a análise de 54 sítios web. No total, foram analisadas 424 páginas, correspondendo a uma média de 8 páginas por sítio web.

#### Distribuição das cláusulas _EN 301 549_ por sítio web na monitorização aprofundada

Na [Tabela 10](#T10) é apresentado o número (e percentagem) de sítios web que violam cada cláusula da EN 301 549.

tabela10.txt

De acordo com os dados expostos na [Tabela 10](#T10), é possível concluir que houve uma baixa taxa de conformidade face às cláusulas. Pela negativa destacam-se as seguintes cláusulas com mais de 75% de sítios não conformes:

- 9.1.1.1 Conteúdo não textual com uma taxa de falha de 100%;
- 9.1.3.1 Informações e relações com uma taxa de falha de 100%; 
- 9.1.3.2 Sequência com significado com uma taxa de falha de 81%;
- 9.1.4.3 Contraste (mínimo) com uma taxa de falha de 100%;
- 9.2.1.1 Teclado com uma taxa de falha de 96%;
- 9.2.4.4 Finalidade da hiperligação (em contexto) com uma taxa de falha de 96%;
- 9.2.4.6 Cabeçalhos e etiquetas com uma taxa de falha de 94%;
- 9.2.4.7 Foco visível com uma taxa de falha de 83%;
- 9.2.5.3 Legenda no nome com uma taxa de falha de 78%;
- 9.4.1.1 Análise sintática (parsing) com uma taxa de falha de 81%;
- 9.4.1.2 Nome, função, valor com uma taxa de falha de 100%.

Pela positiva destacam-se as seguintes cláusulas com menos de 10% de sítios não conformes: 

- 9.1.2.4 Legendas (ao vivo) com todos os sítios conformes;
- 9.1.3.3 Características sensoriais com uma taxa de falha de 2%;
- 9.1.3.4 Orientação com uma taxa de falha de 6%;
- 9.1.4.2 Controlo de áudio com uma taxa de falha de 2%;
- 9.2.1.2 Sem bloqueio do teclado com uma taxa de falha de 9%;
- 9.2.1.4 Atalhos de teclas por caráter com todos os sítios conformes;
- 9.2.2.1 Tempo ajustável  com uma taxa de falha de 6%;
- 9.2.3.1 Três flashes ou abaixo do limite com todos os sítios conformes;
- 9.2.4.5 Várias formas com uma taxa de falha de 7%;
- 9.2.5.2 Cancelamento do apontador com uma taxa de falha de 4%;
- 9.2.5.4 Atuação motora co todos os sítios conformes;
- 9.3.2.1 Ao receber o foco com uma taxa de falha de 7%;
- 9.3.2.2 Ao entrar num campo de edição (input) com uma taxa de falha de 6%;
- 9.3.2.3 Consistência de navegação com uma taxa de falha de 7%;
- 9.3.2.4 Consistência de identificação com uma taxa de falha de 2%;
- 9.3.3.4 Prevenção de erros (legais, financeiros, dados) com uma taxa de falha de 2%;

#### Distribuição das Declarações de Desempenho Funcional _EN 301 549_ por sítio Web na monitorização aprofundada

Para esta análise, foram consideradas todas as declarações de desempenho funcional através da sua relação primária. A [Tabela 11](#T11) apresenta os resultados obtidos.

tabela11.txt

Observando a [Tabela 11](#T11) podemos concluir que existe uma grande taxa de falha face às declarações de desempenho funcional, mesmo quando avaliadas apenas as cláusulas das relações primárias. As únicas três declarações de desempenho funcional que não são violadas por todos os sítios web da amostra são:

- Utilização com audição limitada com 28% dos sítios web conformes;
- Utilização com amplitude de movimentos limitada com 19% dos sítios web conformes;
- Limitação do risco de desencadeamento de reações fotossensíveis com 89% dos sítios web conformes.

#### Análise dos resultados da monitorização aprofundada de sítios web

O método de monitorização aprofundada permitiu identificar os incumprimentos mais frequentes das cláusulas da EN 301 549 aplicáveis a uma análise manual de sítios web. Dos incumprimentos destacam-se:

- Verificou-se a inexistência de descrições alternativas para conteúdos não textuais, maioritariamente imagens, em todos os sítios web analisados. Esta má prática impede os utilizadores que não conseguem ver as imagens de utilizar o sítio web na sua plenitude.
- O incumprimento da cláusula “9.1.3.1 Info e Relacionamentos” em todos os sítios web analisados é revelador de vários tipos de problemas que impedem os utilizadores de tecnologias de apoio de percepcionarem corretamente o conteúdo e a estrutura da página. Exemplos de problemas associados a esta cláusula incluem cabeçalhos sem nome acessível, campos de formulários sem etiquetas, ou listas e tabelas sem correta identificação.
- A falta de conformidade com a cláusula “9.1.4.3 Contraste (mínimo)” representa um problema significativo na acessibilidade digital dos sítios web analisados. Esta cláusula assegura que o texto tenha contraste suficiente em relação ao fundo, permitindo a sua leitura por pessoas com deficiências visuais, incluindo baixa visão ou daltonismo. O não cumprimento desta cláusula pode dificultar o acesso à informação e aos serviços online.
- O não cumprimento da cláusula “9.2.1.1 Teclado” é outro problema recorrente nos sítios web analisados. Esta clásula exige que todos os elementos interativos de uma página sejam acessíveis e utilizáveis exclusivamente através do teclado, sem depender do uso de dispositivos apontadores, como o rato. A sua violação pode excluir utilizadores com mobilidade reduzida ou outras condições que os impedem de utilizar um rato, comprometendo a equidade no acesso aos serviços digitais. 
- Os criadores de conteúdo continuam a não criar hiperligações com uma descrição que permita aos utilizadores compreenderem o propósito da hiperligação. Páginas com hiperligações sem uma descrição compreensível fora do contexto são problemáticas para os utilizadores que navegam nas páginas através de listas de hiperligações - é o caso de muitos utilizadores cegos que fazem uso de leitores de ecrã.
- A não conformidade com a cláusula “9.2.4.6 Cabeçalhos e etiquetas” é também uma questão relevante nos sítios web analisados, afetando diretamente a navegação e compreensão da estrutura das páginas por utilizadores com deficiências cognitivas ou de visão. Esta cláusula estabelece que os cabeçalhos e etiquetas devem ser utilizados de forma clara e consistente, facilitando a identificação e a navegação entre as diferentes secções do conteúdo. A sua violação pode resultar em páginas desorganizadas, dificultando a localização de informações e a interação com o conteúdo, especialmente em plataformas complexas. 
- A não conformidade com a cláusula “9.2.4.7 Foco visível” é uma falha comum nos sítios web analisados, afetando especialmente utilizadores de teclados e tecnologias de apoio. Esta cláusula exige que o foco, quando se navega com o teclado ou outras formas de interação, seja claramente visível, permitindo aos utilizadores identificar facilmente onde se encontram na página e quais os elementos com que podem interagir. A falta de um foco visível pode resultar em confusão e frustração, especialmente para pessoas com deficiências visuais ou motoras, que dependem deste indicador para navegar corretamente. 
- Duas das cláusulas associadas ao princípio WCAG “Robusto” estão na lista das cláusulas com maior taxa de não conformidade. Isto é representativo do estado em que a web se encontra - os conteúdos não são construídos levando em conta as necessidades das tecnologias de apoio. Esta situação impede que estas tecnologias possam comunicar corretamente aos seus utilizadores o conteúdo das páginas que pretendem consultar. Problemas relativos à comunicação do nome acessível ou do role (semântica) de elementos acontecem em todos os sítios web analisados. O mesmo acontece com os problemas associados à utilização correta dos elementos HTML - 81% os sítios web apresentam erros sintáticos de HTML.

##### Comparação dos resultados da monitorização aprofundada de sítios web com os resultados do período anterior

Na [Tabela 12](#T12) apresenta-se a comparação da percentagem de sítios web que violam os critérios de sucesso que foram avaliados nos dois exercícios de monitorização. 

tabela12.txt

Pela análise dos resultados apresentados na [Tabela 12](#T12), podemos concluir que a evolução do primeiro para o segundo período de monitorização revela progressos e recuos.

No que diz respeito a aspetos relacionados com o design visual das páginas web, observou-se um aumento na não conformidade com as seguintes cláusulas: Utilização de cor (9.1.4.1), Contraste (mínimo) (9.1.4.3), Redimensionar texto (9.1.4.4) e Foco visível (9.2.4.7). Este aumento pode dificultar a experiência dos utilizadores, especialmente para aqueles com deficiências da visão. A falta de contraste adequado e o uso impróprio de cores podem tornar o conteúdo ilegível para pessoas com daltonismo ou baixa visão, comprometendo a acessibilidade do _site_. Além disso, a ausência de redimensionamento de texto pode afetar a legibilidade para utilizadores com dificuldades de visão. Por outro lado, a diminuição dos rácios de não conformidade em relação a Imagens de texto (9.1.4.5), Realinhar (9.1.4.10) e Contraste não textual (9.1.4.11) sugere uma melhoria em termos de adaptação do conteúdo às necessidades dos utilizadores, especialmente em dispositivos móveis e para aqueles que necessitam de elementos mais contrastantes para entender melhor a estruturação do conteúdo.

Nas cláusulas relacionadas com a interação por teclado, observou-se um aumento dos rácios de não conformidade nos seguintes casos: Conteúdo em foco por rato ou teclado (9.1.4.13), Teclado (9.2.1.1), Foco visível (9.2.4.7) e Etiquetas ou instruções (9.3.3.2). Esse aumento pode prejudicar significativamente a experiência de utilizadores que dependem exclusivamente do teclado para navegar, como é o caso dos utilizadores com mobilidade reduzida (membros superiores) ou deficiência da visão. A falta de foco visível, por exemplo, dificulta a navegação eficiente, pois os utilizadores não conseguem identificar onde se encontra o foco na página, o que pode causar confusão e frustração. O aumento da não conformidade no critério “9.2.1.1 Teclado” sugere que muitos _sites_ ainda não permitem interação completa via teclado, tornando-os inacessíveis para quem não pode usar o rato. Além disso, a falta de etiquetas e instruções claras (9.3.3.2) pode dificultar o preenchimento de formulários ou a compreensão de funcionalidades, influenciando diretamente a experiência dos utilizadores. Por outro lado, a diminuição do rácio de não conformidade em relação a Identificação do propósito de entrada (9.1.3.5) e Tempo ajustável (9.2.2.1) indica uma melhoria na acessibilidade em termos de usabilidade e controlo do tempo, beneficiando utilizadores que necessitam de mais tempo ou instruções claras para interagir com os elementos do _site_. Também a diminuição da não conformidade com a cláusula Múltiplas formas (9.2.4.5) é um sinal positivo, pois indica que mais sítios estão a oferecer diversas alternativas para navegação e busca de conteúdos, o que facilita a acessibilidade para utilizadores com diferentes necessidades e preferências.

A análise das cláusulas relacionadas com a semântica da página revela uma tendência mista. O aumento da não conformidade nos critérios Cabeçalhos e etiquetas (9.2.4.6), Idioma de partes (9.3.1.2) e Etiquetas ou instruções (9.3.3.2) é preocupante, pois sugere que mais sítios não estão a garantir uma estrutura clara e intuitiva para os utilizadores, o que pode dificultar a navegação e compreensão do conteúdo. A falta de cabeçalhos adequados e etiquetas pode tornar a experiência de navegação confusa, especialmente para utilizadores de leitores de ecrã ou para utilizadores com deficiências cognitivas. Por outro lado, a diminuição da não conformidade nos critérios Identificação do propósito de entrada (9.1.3.5), Página com título (9.2.4.2), Idioma da página (9.3.1.1) e Consistência de identificação (9.3.2.4) é um desenvolvimento positivo, pois indica que os sítios web estão a melhorar a forma como apresentam o conteúdo e asseguram uma navegação mais previsível e compreensível, beneficiando a acessibilidade, em particular para utilizadores com deficiências cognitivas e de linguagem.

### Monitorização aprofundada de aplicações móveis

Foram analisadas 33 aplicações, sendo 17 aplicações Android e 16 aplicações iOS. 

#### Resultados por cláusula _EN 301 549_ das aplicações móveis

Na [Tabela 13](#T13) é apresentado o número (e percentagem) de aplicações que violam cada cláusula, para a totalidade das aplicações, i.e., dos dois sistemas operativos.

tabela13.txt

Ao analisar os dados expostos na [Tabela 13](#T13) é possível determinar as cláusulas que são mais frequentemente violadas: 

- 11.1.3.4 Orientação - 97% das aplicações
- 11.1.4.3 Contraste (mínimo) - 91% das aplicações
- 11.4.1.2 Nome, função, valor - 90% das aplicações
- 11.2.1.1 Teclado - 88% das aplicações
- 11.1.3.1 Informações e relações - 84% das aplicações

##### Acessibilidade das aplicações móveis por sistema operativo

Esta secção apresenta os resultados organizados por sistema operativo. Na [Tabela 14](#T14) é apresentada a percentagem de aplicações que violam cada cláusula em cada sistema operativo.

tabela14.txt

De acordo com os dados expostos na [Tabela 14](#T14) é possível perceber que os dois sistemas operativos têm níveis de não conformidade semelhantes (24% em Android e 22% em iOS). No entanto, é importante destacar que algumas cláusulas apresentam variações significativas no seu nível de não conformidade nos dois sistemas operativos. Estas são:

- 11.1.3.1 Informações e relações - 94% das aplicações Android e  73% das aplicações iOS
- 11.1.4.4 Redimensionar texto - 50% das aplicações Android e 81% das aplicações iOS
- 11.2.4.7 Foco visível - 59% das aplicações Android e 7% das aplicações iOS

As diferenças observadas na conformidade com as cláusulas 11.1.3.1 e 11.2.4.7 podem ser atribuídas a vários fatores. Primeiro, as diretrizes de design da Apple, como as _<span lang="en">Human Interface Guidelines</span>_, valorizam mais explicitamente a acessibilidade, incluindo indicadores visíveis de foco e estruturas semânticas, em comparação com o _<span lang="en">Material Design</span>_ do Android, que pode permitir maior flexibilidade e inconsistência. Em segundo lugar, as ferramentas e _<span lang="en">frameworks</span>_ nativos da Apple, como o Xcode e o UIKit, oferecem funcionalidades de acessibilidade mais integradas e fáceis de aplicar, enquanto que os programadores Android podem necessitar de maior esforço para alcançar resultados semelhantes. Por fim, em _<span lang="en">frameworks</span>_ multiplataforma, como Flutter ou React Native, as configurações padrão, muitas vezes, favorecem os requisitos do iOS, exigindo personalizações adicionais para assegurar uma acessibilidade equivalente no Android.

Por outro lado, as diretrizes de desenvolvimento também podem beneficiar a plataforma Android como pode ser observado nos resultados de não conformidade da cláusula 11.1.4.4. O Android promove o uso de unidades escaláveis, como “sp”, nas diretrizes do _<span lang="en">Material Design</span>_, incentivando práticas de _<span lang="en">design</span>_ responsivo, enquanto que os desenvolvedores iOS podem negligenciar o suporte ao texto dinâmico devido a uma menor ênfase nas _<span lang="en">Human Interface Guidelines</span>_. Além disso, _<span lang="en">frameworks</span>_ como o Jetpack Compose no Android têm suporte nativo para escalonamento de texto, facilitando a sua aplicação, enquanto no iOS os programadores precisam de configurar manualmente o Dynamic Type e garantir testes adequados. 

#### Distribuição das declarações de desempenho funcional

A partir dos resultados de monitorização das aplicações móveis também foi analisado o suporte às declarações de desempenho funcional levando em consideração as relações primárias. A [Tabela 15](#T15) apresenta os resultados obtidos na primeira análise, em que apenas foram tomadas em consideração as cláusulas das relações primárias.

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Analisando a [Tabela 15](#T15) podemos concluir que existe uma grande taxa de não conformidade face às declarações de desempenho funcional. Três das declarações de desempenho funcional estão não conformes na totalidade das aplicações móveis analisadas. Das restantes, três declarações não são conformes em mais de 85% das aplicações e as outras duas declarações não são conformes em mais de 50% das aplicações.

#### Análise dos resultados da monitorização aprofundada de aplicações móveis

O método de monitorização aprofundada permitiu identificar os incumprimentos mais frequentes das cláusulas EN 301 549 aplicáveis a uma análise manual de aplicações móveis. Das não conformidades detetadas destacam-se:

- As aplicações regularmente forçam o uso do dispositivo numa orientação, limitando o acesso de utilizadores com deficiência motora que tiram partido de outras orientações.
- Grande parte das aplicações avaliadas revelaram problemas com a conformidade com níveis de contraste (11.1.4.3 Contraste (mínimo) e 11.1.4.11 Contraste não textual). Isto significa que muitas destas aplicações podem não oferecer suporte adequado a utilizadores com deficiências da visão, dado que o contraste entre texto e fundo ou outros elementos pode não respeitar os padrões necessários de legibilidade e acessibilidade
- Os criadores de conteúdo continuam a não criar componentes interativos com uma descrição que permita aos utilizadores compreender o propósito dos mesmos. Em particular, verificou-se o uso de inúmeros elementos interativos sem uma definição concreta da sua função. Por exemplo, botões não eram anunciados como tal e textos eram interativos o que leva os utilizadores a terem que testar virtualmente todos os elementos para descobrirem aqueles que realmente são interativos.
- A maioria das aplicações não respeita a cláusula “11.2.1.1 Teclado” o que implica que muitos dos recursos não são totalmente acessíveis para pessoas que dependem de teclados como dispositivos de entrada primários, dificultando a navegação e a interação eficiente. 
- O incumprimento da cláusula “11.1.3.1 Informações e relações” por diversas aplicações analisadas é revelador de vários tipos de problemas que impedem utilizadores de tecnologias de apoio de terem uma perceção correta do conteúdo e estrutura do ecrã. Exemplos de problemas associados a esta cláusula incluem cabeçalhos sem nome acessível, campos de formulários sem etiquetas, ou listas e tabelas incorretamente identificadas.

##### Comparação dos resultados da monitorização aprofundada de aplicações móveis com os resultados do período anterior

Na [Tabela 16](#T16) apresenta-se a comparação da percentagem de aplicações móveis que violam os critérios de sucesso que foram avaliados nos dois exercícios de monitorização. 

tabela16.txt

Pela análise dos resultados apresentados na [Tabela 16](#T16), podemos concluir que a evolução do primeiro para o segundo período de monitorização revela poucas alterações na maioria das cláusulas. No entanto, nalgumas cláusulas há modificações assinaláveis, quer pela positiva, quer pela negativa. As cláusulas que evoluíram de forma marcadamente positiva durante este período são:

- 11.1.4.4 Redimensionar texto registou uma diminuição de 34% de aplicações não conformes; 
- 11.2.4.4 Finalidade da hiperligação (em contexto)	registou uma diminuição de 72% de aplicações não conformes;
- 11.2.5.1 Gestos por apontador registou uma diminuição de 41% de aplicações não conformes.

As cláusulas que evoluíram de forma marcadamente negativa durante este período são:

- 11.1.3.2 Sequência com significado registou um aumento de 26% de aplicações não conformes;
- 11.2.5.3 Legenda no nome registou um aumento de 40% de aplicações não conformes;
- 11.4.1.3 Mensagens de estado registou um aumento de 55% de aplicações não conformes.

Os aspetos positivos parecem focar-se na flexibilidade oferecida aos utilizadores. Em particular, a capacidade de redimensionar texto e não de não depender exclusivamente de gestos por apontador. Também é positivo registar uma maior preocupação com a semântica da aplicação, com uma descida assinalável no número de aplicações que não é conforme com a cláusula 11.2.4.4. No entanto, deve-se aqui mencionar uma indicação contraditória, que é observada no aumento das aplicação que não são conformes com a cláusula 11.4.1.3. Esta cláusula também tem impacto negativo em utilizadores de tecnologias de apoio e é exemplificativa daquilo que parece ser uma tendência, negativa - das aplicações serem menos compatíveis com as tecnologias de apoio. Para além da cláusula 11.4.1.3 que reflete, em muitos casos, situações em que mensagens de erro não são anunciadas pelos leitores de ecrã, verifica-se também através das cláusulas 11.2.5.3 (em que etiquetas de vários campos são apresentadas visualmente, mas não disponibilizadas para tecnologias de apoio) e 11.1.3.2 (em que a sequência em que o conteúdo é apresentado por tecnologias de apoio não é igual à sequência em que é apresentado visualmente). Este cenário parece ser representativo de uma realidade em que os programadores de aplicações móveis não sabem como disponibilizar corretamente o conteúdo destas aplicações às tecnologias de apoio a que os seus utilizadores recorrem.