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Técnicas de Descrição de Imagem para Sítios Web de Museus.

Descrição

Desenvolver a qualidade das descrições visuais é uma tarefa morosa que deve ser feita cuidadosamente por pessoas que escrevam bem e que tenham conhecimentos na área da edição.

Na altura da criação do Virtual Museum Tour, não havia instruções disponíveis. Com a a preparação de aproximadamente 100 descrições visuais, foi desenvolvido um processo padrão. Este processo está resumido nas seis Recomendações que se seguem e que poderão ser aplicadas noutros projectos da Web que envolvam imagens de obras de arte.

Recomendação UM: Seja Objectivo

A única função de uma descrição visual é descrever o aspecto de uma obra de arte.  Resumindo, deverá simplesmente responder à questão, “Como é o objecto?”. As descrições devem evitar quaisquer interpretações analíticas ou emotivas. Por outras palavras, não devem suscitar perguntas como, “O que quer dizer?” ou “O que é que acha?”. As descrições ajudam os visitantes a visualizar um objecto, e portanto fornecem um contexto para outras informações sobre outra obra que possam encontrar, tal como o historial antecedente, o estilo do artista ou o comentário dos críticos .  Ao combinar esta informação concreta com uma descrição objectiva, os visitantes da Web ficam suficientemente informados para fazer uma análise pessoal ou conseguir ter a sua própria reacção emotiva.

No caso de personagens retratadas, num quadro ou noutra obra de arte , a objectividade  também deve ser aplicada.  Apesar de ser conveniente descrever a sua aparência, vestuário e acções, as descrições visuais não devem esforçar-se por explicar as suas motivações ou sentimentos, mesmo que estes estejam implícitos nos gestos ou no contexto. Se as emoções das personagens são óbvias na obra de arte, então serão provavelmente também notórios na descrição visual.

Neste exemplo, a descrição foi escrita sem referências à emoção, apesar do estado de espírito implícito na pintura estar perceptível.

“...O corpo da rapariga está voltado para o seu lado esquerdo, enquanto que a cabeça e o olhar estão virados para o seu lado direito. Parte do cabelo castanho está puxado para trás até meio das costas. Tem sobrancelhas fartas, olhos escuros e faces avermelhadas. A boca é pequena e os lábios estão fechados. Os braços estão estendidos e as mãos com os dedos entrelaçados repousam nos seus joelhos ...”

Figura: William Adolphe Bouguereau (1825-1905) Francês, THE SONG OF THE NIGTINGALE, 1895, pintura a óleo em tela, 55 x 35 polegadas, Oferta do Senhor Robert Badenhop, 1954.12

Figura: William Adolphe Bouguereau (1825-1905) Francês, THE SONG OF THE NIGTINGALE, 1895, pintura a óleo em tela, 55 x 35 polegadas, Oferta do Senhor Robert Badenhop, 1954.12

Finalmente, e porque o gosto artístico varia consoante a pessoa, as descrições visuais não devem conter juízos de valor sobre a qualidade da obra de arte, nem da habilidade do artista que o criou.

Recomendação DOIS: Seja Breve

Apesar da duração das descrições visuais variar consoante a peça de arte que está a ser descrita, devem ser tão concisas quanto possível. Nalgumas montagens, as descrições visuais são apresentadas como nas gravações áudio lidas por um narrador. Outras vezes, são fornecidas em texto que os próprios visitantes têm de ler. Em qualquer dos casos, dado que as descrições extremamente longas se tornam cansativas, estas devem ser limitadas de 250 a 300 palavras. Dependendo do contexto, as descrições visuais devem ser acompanhadas por um catálogo com informação sobre a obra de arte (tal como o nome do artista e data de nascimento e de morte, o título, os materiais utilizados e as dimensões). Estas informações não serão incluídas na contagem total das palavras.

Para uma economia de palavras mais eficaz, exclua frases redundantes como “de forma rectangular” ou “de cor azul”. Em vez disso, utilize simplesmente “rectangular” ou “azul”. Do mesmo modo, evite afirmações óbvias tais como “ela usa um colar ao pescoço” ou “luvas nas mãos”.

Recomendação TRÊS: Seja Descritivo

As descrições visuais devem utilizar vocabulário amplo de terminologia viva para descrever as múltiplas características dos objectos de arte.

Alguns termos comuns estão categorizados em baixo.

As formas podem ser descritas como quadradas, cuboides, rectangulares, lisas, direitas, circulares, esféricas, cilíndricas, curvilíneas, arredondadas, triangulares, cónicas, piramidais, angulares, irregulares, denticulares, inclinadas, diagonais, horizontais e verticais. Estas palavras podem ser utilizadas não só para identificar a forma global do objecto, mas também para descrever os desenhos geométricos do seu interior. Evite palavras que impliquem acção excepto se realmente o objecto se move; por exemplo, “curvado” é preferível a “curvando”. Também não se devem usar termos coloquiais como “contorcimento” ou “ziguezague”.

O tamanho pode ser descrito como pequeno, minúsculo, baixo, miniatura, grande, alto, monumental, grosso, delgado, estreito, largo, em tamanho natural, de dimensões exactas, em grande escala e em pequena escala. As dimensões dos objectos, fornecidas no catálogo, informarão os visitantes do seu tamanho real.

A textura pode ser descrita como lisa, acetinada, grossa, granulada, áspera, usada, desbotada, coçada, gretada, rota, ondulada, canelada, padronizada, listrada, às pintas e picotada.

A cor pode ser descrita como intensa, nítida, brilhante, clara, escura, apagada, pálida, desmaiada, sólida ou mesclada. Não há necessidade em evitar referenciar cores, no pressuposto que não tem sentido para os visitantes cegos. Em primeiro lugar, as descrições serão usadas por pessoas sem dificuldades visuais. Segundo, muitas das pessoas que agora são cegas já viram e conseguem recordar cores. Terceiro, por vezes as cores têm um significado simbólico nas obras de arte (apesar de frases interpretativas como “warm gold” ou “red angry” não deverem ser utilizadas).

A composição (ou a disposição dos elementos numa obra) pode ser descrita como em baixo, em cima, acima, abaixo, paralelo, perpendicular, em primeiro plano (ou em plano de fundo) e à esquerda (ou à direita).  Quando se faz referência a posições relativas, descrever os objectos da perspectiva do observador, excepto quando se refere à esquerda ou à direita de uma personagem pintada numa obra.

A técnica artística pode ser descrita como realista, abstracta, não natural, simplificada, detalhada, precisa, imprecisa, mal definida, borrada, salpicada, pincelada ou marcada.

Recomendação QUATRO : Seja Lógico.

As descrições visuais devem descrever objectos segundo uma sequência lógica de modo a que haja uma boa compreensão.

As descrições devem começar por uma apreciação genérica do objecto e daquilo que retrata.  De acordo com o tipo de objecto em questão, pode ser conveniente mencionar no início a sua cor e textura da superfície e, eventualmente, a sua construção.  A seguir à referência genérica deverá ser descrito, com detalhe, as várias partes do objecto, segundo uma determinada ordem, como por exemplo da esquerda para a direita ou de cima para baixo. Depois da descrição de uma determinada parte da obra deverá ser explícita a transição para identificar a próxima área descrita, bem como a sua relação espacial com a sua antecedente.  Se alguma parte for demasiadamente complexa será melhor descrever cada elemento separadamente, usando, eventualmente uma sequência numerada.

No exemplo que se segue, a localização dos objectos num quadro estão descritos fazendo a relação com outros elementos, dando ao leitor uma compreensão da composição global do trabalho.

“... à esquerda do celeiro está uma área de pinceladas de linhas cruzadas a negro que parecem uma sombra.   Por baixo do celeiro do está uma máquina encarnada e cinzenta colocada desastradamente ao seu lado.  As rodas grandes e o motor aparentam uma peça de maquinaria agrícola.  À direita da máquina estão dois ramos de árvore angulosos e castanhos que surgem do fundo do quadro.  Entre os ramos surgem disseminadas várias cenas menores ...”

Figura – Stuart Davis (1894-1964) Americano, PAISAGEM COM MÁQUINA PARTIDA”, 1935, Guache sobre papel, 15 ¼ x 22 1/8 polegadas, doação de Virginia Rike Haswell, 1977.39

Figura – Stuart Davis (1894-1964) Americano, PAISAGEM COM MÁQUINA PARTIDA”, 1935, Guache sobre papel, 15 ¼ x 22 1/8 polegadas, doação de Virginia Rike Haswell, 1977.39

Esculturas ou outros trabalhos tri-dimensionais, dependendo do seu design, precisam de ser descritos sob vários ângulos de visão.  Deverá ser usada uma sequência lógica como se o observador estivesse a rodar em torno do objecto.

Na descrição, ao usar palavras tais como adjectivos, será melhor colocá-las após a palavra que qualificam, de modo a que o observador saiba a caracterização do objecto em si.  Por exemplo, usar “os seus dedos são grandes e finos” em vez de “ele tem dedos grandes e finos”.

Recomendação CINCO : Seja Rigoroso

Uma vez que as descrições fazem parte de uma experiência de um saber global das artes, deverão ser concretas e consistentes com outras fontes de informação referentes à a peça de arte em questão.  Poderá ser necessário recorrer a investigação já realizada para identificar correctamente imagens históricas, personalidades, localizações geográficas, tipos de vestuário, género  de animais, elementos arquitectónicos, etc..  No entanto, as descrições deverão evitar terminologia hermética (própria das artes) ou terminologia especializada que não seja familiar à maioria dos visitantes.  Por exemplo, termos sobre estilos como sejam “abstracto”  e “realista” serão facilmente compreensíveis o que já não acontece com “Geometric Abstractionist” e “French Academic”.

Recomenda-se vivamente que o autor da descrição observe o objecto real ao fazer as notas iniciais, porque a cor e outros detalhes só assim poderão ser vistos com rigor.  Quando essas notas sobre a descrição com base na peça ao vivo estiverem apuradas, poder-se-ão usar slides ou fotografias para referência ao aspecto e composição dos objectos.

Recomendação SEIS : Diversos

Dado que os visitantes podem ter acesso, numa visita virtual, a peças de arte sem qualquer tipo de sequência, os autores das descrições visuais não deverão partir do princípio que os leitores vão seguir uma determinada ordem no visionamento.

Referências a outras peças de arte não deverão ser feitas através de descrição visual, nem a trabalhos do mesmo autor ou outros trabalhos que façam parte do mesmo Museu ou Galeria.

A fim de facilitar os visitantes da página Web que usam software de leitura de écrã, os números deverão ser escritos (“século dezanove” em vez de “século XIX”  ou “dois e meio” em vez de “2 ½”) .

Ao descrever a vestimenta de personagens de um trabalho, pode minimizar-se a monotonia usando vários sinónimos como  “tem vestido” ou “está usando”.

Quando as descrições visuais estiverem escritas e editadas, deverão ser revistas por vários revisores (incluindo pessoas com deficiência visual) para recolher sugestões.  Como teste final, as descrições deverão ser comparadas pessoalmente por uma pessoa da equipa com as peças ao vivo do Museu ou galeria a que pertencem.

Última actualização: Março 01, 2003.
Programa ACESSO da UMIC - Agência para a Sociedade do Conhecimento, I.P.

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