Estudo sobre o estado da Acessibilidade dos sítios Web dos estabelecimentos de ensino superior

Unidade ACESSO do Departamento da Sociedade da Informação da Fundação para a Ciência e a Tecnologia.

Dezembro 2013.

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Índice

Sumário executivo

De que forma os conteúdos Web institucionais dos estabelecimentos de Ensino Superior cumprem os requisitos de acessibilidade constantes das Diretrizes de Acessibilidade para o Conteúdo da Web (WCAG) 2.0 do Consórcio World Wide Web (W3C)?

Esta é a pergunta de partida que conduziu o presente estudo pelo universo dos sítios Web representantes dos estabelecimentos de Ensino Superior, que constam da base de dados da Direção Geral do Ensino Superior. Num total de 338 estabelecimentos pertencentes a 105 instituições, o universo do Ensino Superior é aqui representado por uma amostra de 18331 páginas.

Globalmente, no que diz respeito a práticas de acessibilidade, é possível retirar duas conclusões principais para o Ensino Superior:

Os dois dados parecem contraditórios mas, mais uma vez, a escala numérica do AccessMonitor, parece refletir mais fielmente a situação de acessibilidade aos sítios Web. A realidade da escala de conformidade das WCAG, divididas em 3 níveis — ‘A’, ‘duplo-A’ e ‘triplo-A’ — parece ser demasiado severa para com as práticas de acessibilidade encontradas num sítio. Basta 1 dos 61 critérios de acessibilidade não estar conforme numa página, para que o sítio surja também não conforme. Num exemplo extremo, a escala de conformidade das WCAG, sintetiza o resultado de um sítio Web com 100 páginas que tem 1 erro numa página, da mesma forma que um sítio Web com 100 páginas que tem 100 erros em cada página. O índice AccessMonitor acaba por sintetizar esta observação de forma diferenciada. Neste caso em concreto, o índice mostra-nos que em 54,3% dos sítios foram encontradas práticas interessantes. A presente nota sobre o AccessMonitor é importante para perceber o panorama “verdejante” com que o território nacional é pintado na figura 5 da página 12, em que é possível observar que 65% dos distritos (incluindo aqui as regiões autónomas) obtêm um índice AccessMonitor positivo.

O presente estudo foi elaborado pela equipa da Unidade ACESSO, do departamento da Sociedade da Informação da Fundação para a Ciência e a Tecnologia, IP. A amostra contempla os sítios Web de 338 estabelecimentos de Ensino Superior, lista essa que pode ser consultada no sítio Web da ACESSO em: http://www.acessibilidade.gov.pt/publicacoes/ensinosuperior13.

Nota: Qualquer entidade do Ensino Superior que conste da lista, pode solicitar à equipa da Unidade ACESSO da FCT o acesso ao seu relatório de resultados detalhados.

Ferramentas de análise

O presente estudo foi realizado com recurso ao validador automático AccessMonitor para a versão 2.0 das Web Content Accessibility Guidelines do W3C. Usou-se igualmente para algumas verificações manuais os navegadores Safari (v7.0) e Opera (v12.16), o leitor de ecrã VoiceOver e o ampliador de caracteres Zoom do sistema operativo Mac OS 10.9.

Metodologia

A primeira etapa do presente estudo passou pela construção de um diretório no AccessMonitor com todos os sítios representativos dos estabelecimentos de Ensino Superior:

  1. recolha dos URLs dos estabelecimentos de Ensino Superior junto da Direcção Geral de Ensino Superior;
  2. produção da amostra para cada um dos 338 sítios Web compilados na fase anterior (i.e. página principal + páginas ligadas à primeira);
  3. inserção dos URLs no validador AccessMonitor e construção dos múltiplos diretórios agregadores (ensino superior, ensino superior privado, ensino superior público, ensino superior universitário, ensino superior politécnico, ensino superior concordatário, ensino público militar, distrito, instituição);

A segunda etapa passou:

  1. pela recolha dos dados estatísticos no AccessMonitor;
  2. pela produção do presente relatório síntese.

O trabalho decorreu de fevereiro a dezembro de 2013.

Caraterização da amostra

A recolha teve por objetivo contabilizar os sítios web institucionais do universo dos estabelecimentos pertencentes às instituições de ensino superior. Com base nos dados publicados pela Direcção Geral de Ensino Superior, foi possível totalizar 338 estabelecimentos, todos eles com sítio Web, de um universo de 105 instituições de Ensino Superior.

Apesar do número de instituições ser maior no privado do que no público, 64 para 41, o número de estabelecimentos sob jurisdição de instituições públicas é substancialmente maior (61,5%).

Tabela 1 - Nº de estabelecimentos no Ensino Superior por tipo (privado e público)
Tipo de Ensino Nº de estabelecimentos %
Ensino Privado 130 37,5
Ensino Público 208 61,5
Total Ensino Superior 338 100,0

Se analisarmos a distribuição dos estabelecimentos pela natureza das instituições a que pertencem, verificamos que 50% são Ensino Politécnico.

Tabela 2 – Nº de estabelecimentos no Ensino Superior por tipo (Universitário, Politécnico, Militar e Policial, Concordatário)
Tipo de Ensino Nº de estabelecimentos %
Ensino Universitário 135 39,9
Ensino Politécnico 169 50,0
Ensino Militar e Policial 7 2,1
Ensino Concordatário 27 8,0
Total Ensino Superior 338 100,0

A amostra recolhida em cada sítio Web é composta pela página de entrada mais o conjunto de páginas que se encontram ligadas à primeira. Assim, contabilizou-se um total de 18331 páginas web de um universo de 336 sítios web. Eliminaram-se da amostra todas as páginas cujo número de elementos HTML era inferior a 50. Por esta mesma razão foram eliminados 2 sítios, a saber: Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa e Escola Superior de Dança do Instituto Politécnico de Lisboa.

Ensino Universitário: 45%; Ensino Politécnico: 47%; Outros: 8%
Figura 1: Distribuição das 18331 páginas analisadas por tipos de ensino.

Das 18331 páginas analisadas em 336 sítios Web, cerca de 92% correspondem a sítios de estabelecimentos de Ensino Universitário e Politécnico. 65% das páginas da amostra pertencem a estabelecimentos de ensino público. Em média, foram analisadas 55 páginas por sítio Web.

Resultados

Símbolo de acessibilidade à web

Desde 1999, com a publicação da Resolução do Conselho de Ministros n.º 97/99 de 26 de Agosto com o título “Acessibilidade dos sítios da Administração Pública na Internet pelos Cidadãos com Necessidades Especiais” que passou a ser prática corrente a afixação do símbolo de acessibilidade à Web na primeira página. A sua afixação, tão somente,

"denota, por parte dos webmasters, preocupação em dotar o sítio com funcionalidades de acessibilidade que vão ao encontro das necessidades dos utilizadores com deficiência” (NCAM).

A afixação do símbolo de acessibilidade passou igualmente a ser considerado indicador nos estudos sobre presença online da Administração Directa e Indirecta do Estado e, por extensão, surgiram também nas análises feitas aos conteúdos do Ensino Superior.

Símbolo de Acessibilidade à Web
Figura 2 - Símbolo de Acessibilidade à Web.

Dos 338 sítios, 59 (17,5%) têm o símbolo de acessibilidade à Web afixado na primeira página.

sim: 17,5%; não: 82,5%
Figura 3: Presença do Símbolo de Acessibilidade à Web na 1ª página dos sítios Web dos estabelecimentos de Ensino Superior.

O índice AccessMonitor médio dos 59 sítios com o símbolo de acessibilidade à web é igual à média dos 336 sítios do universo, o que indicia que, em termos de práticas web, não há diferenças significati-vas a assinalar nos sítios que têm o símbolo afixado.

Nível de conformidade com as WCAG 2.0

Das 18331 páginas web analisadas, 18178 (99,2%) têm erros de prioridade ‘A’, 59% de prioridade ‘duplo-A’ e 83% de prioridade ‘triplo-A’. Assim, em termos de conformidade, podemos dizer que apenas 0,8% das páginas da amostra estão conformes com o nível ‘A’ das WCAG 2.0. Se analisarmos a conformidade por sítio Web, o que implica que todas as páginas analisadas de um sítio se apresentem conformes, o cenário é um pouco diferente, para pior: nenhum dos 336 sítios alcançou o nível mínimo de conformidade – o nível ‘A’ das WCAG 2.0.

Os dados recolhidos pelo AccessMonitor também mostram que 30% dos sítios Web analisados têm menos de 30 páginas não conformes. Significa isto também que, com um esforço mínimo, o Ensino Superior se poderia apresentar com 30% de conformidade ‘A’ para com as regras de acessibilidade.

Índice AccessMonitor

Da análise do histograma das pontuações baseadas no índice AccessMonitor, por sítio web (ver figura seguinte), verifica-se que 54,3% dos sítios dos estabelecimentos de ensino superior têm “nota” média superior a 4,5 valores (isto na escala do índice AccessMonitor, o qual atribui notas às práticas de 1 a 10, sendo 10 uma boa prática).


Figura 4: Distribuição do índice AccessMonitor por sítio Web.

Se mudarmos a unidade de medida de sítio para página, constata-se que a distribuição das notas se adensa do lado esquerdo da mesma, acumulando na nota média 4.5, 50,3% da nossa amostra de páginas, valor que compara com os 45,7% dos sítios acumulados nesta nota. Isto poderá significar que os sítios “maus” concentram também um número elevado de páginas com fracos resultados.

A média global do índice AccessMonitor é de 5,3 ou seja situado no espectro das notas positivas.

Ensino Privado e Ensino Público

Os sítios Web do Ensino Superior Privado quando comparados com os do Ensino Superior Público apresentam-se, em termos médios, com índice AccessMonitor 4 décimas acima. Em termos de acessibilidade funcional tais resultados não são significativamente expressivos, pelo que não é expectável que as dificuldades sentidas pelos utilizadores na abordagem aos dois grupos de sítios web seja substancialmente diferente.

Tabela 3 – Média do índice AccessMonitor (Público, Privado)
Tipo de Ensino Índice AccessMonitor
Ensino Privado 5,5
Ensino Público 5,1
Global Ensino Superior 5,3

Ensino Universitário, Politécnico, Militar e Concordatário

O Ensino Concordatário (Universidade Católica) é o que apresenta os melhores índices médios de acessibilidade web. A puxar a média para baixo encontram-se as práticas de acessibilidade dos sítios web dos estabelecimentos de Ensino Militar e Policial com um valor médio de 4,4 valores, claramente já numa zona vermelha do índice.

Tabela 4 – Média do índice AccessMonitor (Universitário, Politécnico, Militar e Policial, Concordatário)
Tipo de Ensino Índice AccessMonitor
Ensino Universitário 5,4
Ensino Politécnico 5,1
Militar e Policial 4,4
Concordatário 5,7
Global Ensino Superior 5,3

Resultados por distrito

Tendo por referência o índice AccessMonitor médio, por distrito, classificação que pondera as práticas de acessibilidade encontradas nos diversos sítios web em análise, é possível observar que 65% dos distritos, incluindo as regiões autónomas, obtêm um índice positivo (assinalado na figura seguinte com os padrões verdes). Os estabelecimentos de Ensino Superior que se comportam pior localizam-se em Viana do Castelo, Beja, Leiria e Guarda. Os melhores sítios de estabelecimentos de Ensino Superior encontram-se na região autónoma dos Açores e no distrito de Évora.

Dos 18 distritos mais 2 regiões autónomas, 11 encontram-se acima da média de 5,3 na escala do AccessMonitor. Não se encontra qualquer tendência norte/sul, interior/litoral ou de grandes cidades como Lisboa e Porto.


Figura 5: índice médio AccessMonitor por distrito e regiões autónomas dos sítios Web dos estabelecim/ de Ens. Superior [consulte a tabela seguinte para análise dos dados equivalentes aos representados no Mapa de Portugal por Distritos].

Tabela 5 – Índice Médio AccessMonitor por distrito
Distrito/Região Autónoma AccessMonitor
Região Autónoma dos Açores 7,3
Distrito de Évora 6,2
Distrito de Setúbal 6,1
Distrito de Castelo Branco 5,9
Distrito do Porto 5,7
Distrito de Faro 5,6
Distrito de Santarém 5,6
Região Autónoma da Madeira 5,6
Distrito de Viseu 5,4
Distrito de Coimbra 5,3
Distrito de Vila Real 5,3
Global Ensino Superior 5,3
Distrito de Bragança 5,2
Distrito de Lisboa 5,2
Distrito de Aveiro 4,9
Distrito de Portalegre 4,9
Distrito de Braga 4,5
Distrito da Guarda 4,4
Distrito de Leiria 4,2
Distrito de Beja 3,8
Distrito de Viana do Castelo 3,7

As melhores práticas – região autónoma dos Açores

A Escola Superior de Enfermagem de Ponta Delgada, a Escola Superior de Enfermagem de Angra do Heroísmo e a própria Universidade dos Açores são os três estabelecimentos de Ensino Superior que puxam os Açores, enquanto região, para a melhor do país (média de 7,3). Da observação do mapa anterior verifica-se que os Açores, enquanto região, se destaca em relação a todas as outras, estando a mais próxima 1 ponto abaixo.

Numa análise às 135 páginas que constituem a amostra dos Açores, constata-se que todas elas têm nota superior a 5 e que 98,5% têm mesmo nota superior a 6,5.

Da informação recolhida pelo AccessMonitor constata-se que em 134 das 135 páginas da amostra, todas as imagens têm uma legenda. Contudo, o AccessMonitor fornece também, para a mesma amostra, um indicador que provoca a necessidade de uma análise manual: em 51% da amostra de páginas, existe uma média de 56 imagens por página legendadas com um espaço vazio, ou seja um valor grande e que necessita de ser analisado manualmente.

Numa análise manual é possível observar, por exemplo, que o “espaço vazio” foi usado geralmente nas imagens “decorativas” – caso de espaçadores gráficos, o que é uma prática correta. Verificou-se também que as imagens que transmitem informação contêm legendas. Há, contudo, mesmo em construções que são boas práticas, como é o caso dos Açores, algumas correcções que importa efetuar. Por exemplo, a imagem seguinte:

Logótipo da Escola Superior de Enfermagem de Ponta Delgada
Figura 6: Logo da “Escola Superior de Enfermagem de Ponta Delgada”.

Tem a legenda “Universidade dos Açores”, afixada com o seguinte código:

Há aqui duas correcções a empreender:

Assim, o código desta imagem deve ser:

As melhores práticas no Continente – Évora

No distrito de Évora foram analisados 6 estabelecimentos de Ensino Superior, num total de 245 páginas. 50% dos sítios Web estão classificados com nota entre 5 e 6. Existe um grupo de sítios Web correspondentes a 33,3%, com nota entre 8 e 9. Este último grupo corresponde à Escola de Ciênciais Sociais e à Escola de Ciências e Tecnologia (como se pode observar na tabela abaixo).

Se observarmos, não por sítios Web, mas por páginas, constatamos que 55,5% das páginas têm classificação entre 5 e 6. Constatamos também que apenas 19,8% das páginas têm nota superior a 6.

Assim, em termos de boas práticas temos:

Mesmo em distritos que consolidam boas práticas, como é o caso de Évora, encontram-se práticas que precisam de mais trabalho. Por exemplo:

Tabela 6 – Índice AccessMonitor dos estabelecimentos de Ensino Superior do distrito de Évora
Estabelecimentos Índice AccessMonitor
Ensino Universitário 6,8  
Escola de Ciências Sociais   8,2
Escola de Ciências e Tecnologia   8,0
Escola de Artes   5,5
Universidade de Évora   5,5
Ensino Politécnico 5,0  
Escola Superior de Enf. São João de Deus   4,9
Instituto de Invest. e Formação Avançada   5,1

As piores práticas – V. do Castelo, Beja, Leiria e Guarda

Viana do Castelo

No distrito de Viana do Castelo foram analisadas 379 páginas. Em termos de práticas de acessibilidade verificou-se que:

Tabela 7 – Índice AccessMonitor dos estabelecimentos de Ensino Superior do distrito de Viana do Castelo
Estabelecimentos Índice AccessMonitor
Ensino Universitário 4,2  
Escola Superior da Gallaecia   4,6
Univ. Fernando Pessoa - Unidade de Ponte de Lima   3,7
Ensino Politécnico 3,6  
Instituto Politécnico de Viana do Castelo   4,0
Escola Superior de Saúde - Unidade de Ponte de Lima   3,7
Escola Superior de Desporto e Lazer - Melgaço   3,6
Escola Superior de Educação   3,5
Escola Superior de Ciências Empresariais   3,5
Escola Superior Agrária - Ponte de Lima   3,5
Escola Superior de Tecnologia e Gestão   3,4
Beja

Composto apenas pelo Ensino Politécnico, em Beja foram analisadas 172 páginas. Em todas elas foram encontrados erros de prioridade ‘A’, apresentando-se 82% das páginas da amostra com uma classificação entre 3 e 4 — os restantes 18% das páginas encontram-se entre 4 e 5.

São várias as práticas menos boas encontradas:

Estas são algumas das práticas que levam Beja a ficar 1,3 pontos abaixo da média nacional dos 5,1 (média dos Politécnicos). Neste cenário, o Instituto Politécnico de Beja é mesmo o que se apresenta pior classificado.

Tabela 8 - índice AccessMonitor dos estabelecimentos de Ensino Superior do distrito de Beja
Estabelecimentos Índice AccessMonitor
Ensino Politécnico 3,8  
Escola Superior de Educação   3,9
Escola Superior Agrária   3,9
Escola Superior de Tecnologia e Gestão   3,8
Escola Superior de Saúde   3,8
Instituto Politécnico de Beja   3,5
Leiria

Em Leiria foram analisadas no total 315 páginas. Deste lote de distritos piores classificados, Leiria é o que apresenta maior dispersão de resultados. Em termos globais esta dispersão é visível na tabela em que o Ensino Universitário surge bastante melhor classificado que o Ensino Politécnico — se é que se pode classificar de “bastante” uma diferença de 1,3 na escala do AccessMonitor.

Mas a dispersão torna-se mais evidente na análise do histograma produzido pelo AccessMonitor, o qual nos revela que 33,3% das páginas têm uma classificação entre 6 e 7 valores. 23% entre 5 e 6, 38,7% entre 3 e 4.

As práticas encontradas refletem também esta dispersão. Ficam abaixo listadas duas práticas boas e duas práticas más encontradas nos sítios Web dos estabelecimentos de Ensino Superior de Leiria:

Tabela 9 – índice AccessMonitor dos estabelecimentos de Ensino Superior do distrito de Leiria
Estabelecimentos Índice AccessMonitor
Ensino Universitário 5,3  
Instituto Superior de Línguas e Administração de Leiria   5,3
Ensino Politécnico 4,0  
Instituto Politécnico de Leiria   6,4
Instituto Superior D. Dinis   5,7
Escola Superior de Turismo e Tecnologia do Mar - Peniche   3,5
Escola Superior de Artes e Design   3,3
Escola Superior de Tecnologia e Gestão   3,2
Escola Superior de Saúde   3,1
Escola Superior de Educação e Ciências Sociais   3,0
Guarda

Tal como em Beja, também na Guarda, os 5 estabelecimentos analisados correspondem todos ao Ensino Politécnico. Com uma média de 4,4, eles apresentam-se 7 décimas abaixo da média nacional dos Politécnicos.

Tabela 10 – índice AccessMonitor dos estabelecimentos de Ensino Superior do distrito da Guarda
Estabelecimentos Índice AccessMonitor
Ensino Politécnico 4,4  
Instituto Politécnico da Guarda   6,1
Escola Superior de Turismo e Hotelaria   4,3
Escola Superior de Tecnologia e Gestão   4,0
Escola Superior de Saúde   3,9
Escola Superior de Educação, Comunicação e Desporto   3,8

Como se observa na tabela acima, 20%, ou seja 1 sítio, chega mesmo a ter classificação média no intervalo 6-7 (mais concretamente 6,1). Os restantes 80% estão abaixo dos 5 pontos na escala do AccessMonitor. Por página, das 179 páginas da amostra da Guarda, 5,1% chegam mesmo a ter nota entre 9-10, mas, mesmo por página, o resultado é igual ao observado por sítio — 80% das páginas têm classificação inferior a 5 na escala do AccessMonitor.

Os 10 estabelecimentos com as melhores práticas

Tabela 11 – Os 10 melhores sítios Web do Ensino Superior (estabelecimentos)
Rank Estabelecimento ìndice AccessMonitor
1 Escola Superior de Tecnologia da Saúde de Lisboa 9,3
2 Universidade da Madeira 9,0
3 Escola Superior de Saúde do Vale do Sousa 8,7
4 Instituto Superior de Ciências da Saúde - Norte 8,6
5 Escola Superior de Saúde do Vale do Ave 8,5
6 Escola Superior de Saúde Ribeiro Sanches 8,2
7 Instituto Superior Autónomo de Estudos Politécnicos 8,2
8 Instituto Superior de Estudos Interculturais e Transdiciplinares - Viseu 8,2
9 Escola Superior de Saúde - Nordeste 8,2
10 Escola Superior de Saúde - Vila Nova de Gaia 8,2

nota: o número de páginas analisadas serviu de critério de desempate na ordenação perante o mesmo índice AccessMonitor.

A principal conclusão que se pode retirar pela observação dos índices AccessMonitor da tabela do top dos 10 melhores estabelecimentos do Ensino Superior é que a nota de entrada no ranking é bastante elevada (mínimo de 8,2).

Para atingir 8.2 na escala do AccessMonitor já é necessário ter em conta um leque de boas práticas relevantes. A média de 8,5 da tabela dos 10 melhores é um objetivo ambicioso que deveria de ser abraçado pelos diversos sítios do Ensino Superior.

Uma outra conclusão interessante, mas que para a qual não temos quaisquer dados que a expliquem, é o facto de 7 dos 10 sítios pertencerem todos a escolas de saúde.

Os 10 estabelecimentos com as piores práticas

A média dos 10 sítios Web pior classificados tem uma nota média de 3. Uma diferença de 5,5 pontos face à tabela dos 10 melhores estabeleci-mentos e 2 pontos abaixo da média nacional.

Tabela 12 – Os 10 piores sítios Web do Ensino Superior (estabelecimentos)
Rank Estabelecimento ìndice AccessMonitor
1 Escola Superior de Enfermagem de Coimbra 2,7
2 Instituto Superior de Contabilidade e Administração de Coimbra | IPC 3,0
3 Escola Superior de Educação e Ciências Sociais | IPLeiria 3,0
4 Escola Superior Artística do Porto 3,0
5 >Escola Superior Agrária - Elvas | IPPortalegre 3,1
6 Escola Superior de Artes Decorativas | FRESS 3,1
7 Escola Superior de Saúde | IPLeiria 3,1
8 Escola Superior de Tecnologia e Gestão | IPLeiria 3,2
9 Escola Superior de Educadores de Infância Maria Ulrich 3,2
10 Escola Superior de Educação | IPB 3,2

Resultados Globais por técnica

É, de todo, impossível apresentar um estudo que abarque os 61 critérios de sucesso que compõem as WCAG 2.0.

Apresentamos a seguir os resultados por alguns dos elementos mais importantes, em termos de acessibilidade: imagens, botões gráficos, mapas de imagem, multimédia, gramática de (x)HTML, separação do estilo e da estrutura, tamanho de letra, formulários, menus, cabeçalhos, idioma principal.

Legenda das imagens

No caso das imagens a regra geral é: todas as imagens devem ter uma legenda, mesmo as que sejam consideradas meramente decorativas.

Em termos técnicos é extremamente simples adicionar uma legenda a uma imagem. O elemento <img> (imagem) dispõe do atributo alt (equivalente alternativo) que tem como função comportar a legenda da imagem. A legenda deve ser concisa. Por exemplo, há validadores automáticos que chegam a aconselhar como tamanho máximo para uma legenda, algo entre 80 e 150 caracteres.


Figura 7: exemplo recolhido em www.estesl.ipl.pt.

Em termos de código a imagem da figura 7 encontra-se marcada da seguinte forma:

No sítio Web da “Escola Superior de Tecnologia da Saúde de Lisboa”, o primeiro classificado na análise, recolhemos a seguinte boa prática de legendagem (ver figura anterior).

Para mais informações sobre como legendar imagens leia o tutorial: Como legendar imagens de uma página Web.

Tendo por base a totalidade do Ensino Superior, dos 336 sítios analisados foram encontradas imagens por legendar em 286 sítios (85%). Identificado o problema, cabe perguntar se a sua incidência afeta de igual modo todos os sítios Web da amostra? Em 79 sítios, apenas uma a cinco páginas de todo o sítio têm imagens por legendar. Significa isto que com um pequeno esforço se conseguiria um ganho de conformidade na ordem dos 24%, ou seja, passaríamos dos atuais 15% para 39% dos sítios em conformidade, no que diz respeito a esta regra. No extremo oposto, verificamos que há sítios da amostra em que a falta de legendas nas imagens afeta cerca de 450 páginas do sítio Web.

Tabela 13 - Nº de sítios com imagens com e sem legenda no ES
Ocorrências por sítio Nº de sítios
Sítios em que todas as imagens têm legenda 49 15%
Sítios em que há 1 a 5 páginas com imagens sem legenda 79 24%
Sítios em que há várias páginas com imagens sem legenda 208 61%
Total de sítios com imagens 336 100%

A existência de uma descrição longa incorreta (ver tabela seguinte), chama a atenção para o uso incorreto do atributo longdesc do elemento <img>. Geralmente isto sucede quando se deixa o longdesc vazio ou se coloca um texto dentro deste atributo. O uso correcto passa por usar o endereço de uma página ou ficheiro como valor do atributo, tal como se mostra a seguir:

Será a página de destino desta hiperligação que conterá a descrição da imagem.

Já o uso de legendas incorretas, significa que o AccessMonitor encontrou construções deste tipo:

Note que o nome do próprio ficheiro surge como valor do atributo alt. Perante uma alternativa textual desta natureza o utilizador fica sem saber qual é a mensagem transmitida pela imagem.

Tabela 14 – Elemento imagem no Ensino Superior
Ocorrências por sítio Nº de sítios
Alertas
Imagens em que a legenda é um espaço vazio 310 92%
Imagens em que a legenda > 100 caracteres 36 11%
Erros
Imagens com descrição longa incorreta 20 6%
Imagens com uma legenda incorreta 76 23%
Total de sítios com imagens 336  

Botões Gráficos

Todos os botões gráficos têm de ter legenda. Um botão gráfico tem uma configuração semelhante a:

Exemplo de um botão gráfico correctamente legendado. Retirado da página de entrada da Cooperativa de Ensino Superior, Politécnico e Universitário (http://www.cespu.pt).

Um terço dos 336 sítios Web analisados têm botões gráficos. Dos sítios onde se encontraram botões gráficos, em 60% deles constatou-se que todos os botões gráficos aí existentes têm legenda. Nos sítios onde se localizaram botões gráficos por legendar, constata-se que em 28% este erro apenas afeta uma ou duas páginas do sítio.

Tabela 15 - Nº de páginas com botões gráficos com e sem legenda
Ocorrências por sítio Nº de sítios
Sítios em que todos os botões têm legenda 66 60%
Sítios em que há 1 a 2 páginas com botões sem legenda 31 28%
Sítios em que há várias (>2) páginas com botões sem legenda 13 12%
Total de sítios com botões gráficos 110 100%

Mapas de imagem

Mapa de imagem:
Figura 8: exemplo de um mapa de imagem, em que cada logotipo tem uma hiperligação para o respetivo sítio web. Ver excerto de código abaixo. Retirado da página de entrada da Escola Superior de Educação do Instituto Politécnico de Portalegre (www.esep.pt).

88 dos 336 (26%) sítios Web analisados têm Mapas de Imagem. Dos 88 sítios, 40 (45%) têm mapas de imagem sem textos alternativos. Destes, em 40% dos sítios, apenas foi encontrada uma página com erro. Limpar este simples erro significaria passar de 45% para 64% de conformidade nesta regra.

Excerto de código do mapa de imagem da Escola Superior de Educação do Inst. Pol. de Portalegre.

Os mapas de imagem são dos elementos HTML que estão a cair em desuso nas construções Web. Apresenta-se acima uma prática incorreta retirada da amostra, que mostra a inexistência de textos alternativos nas áreas que compõem o mapa.

Este mapa de imagem necessita das seguintes ações de correção:

Inserção de elementos multimédia

A presente análise apenas nos mostra os elementos de HTML que são utilizados para afixar objetos multimédia, como sejam vídeos. Por exemplo, na atualidade é frequente embeber vídeos do Youtube recorrendo ao elemento <iframe>. Este elemento é também frequentemente usado para mostrar janelas de listas de “amigos” do FaceBook. No caso de vídeos em Flash é também usual recorrer ao elemento de HTML <object>. O elemento <embed> apesar de não fazer parte do standard gramatical de HTML, é também frequentemente usado para este efeito.

Um dos elementos mais usados para inserir multimédia, na atualidade, é o <iframe>. Para serem compreensíveis e localizáveis por quem usa tecnologias de apoio é importante o uso do atributo title com informação que permita identificar o seu conteúdo. 48% dos sítios onde este elemento foi encontrado não faz uso do atributo title. Uma análise por elemento, mostra-nos uma situação ainda mais grave: dos 3147 elementos <iframe>, 96,3% não faz uso do atributo title.

29% dos sítios onde o elemento <object> foi encontrado não faziam uso do atributo title. A análise por elemento descobriu 4761 elementos <object> em toda a amostra, dos quais 37% não tinham o atributo title. Como se observa, uma visão mais favorável há encontrada no elemento <iframe>, o que não augura nada de bom para a acessibilidade pois a prática deste último está em crescendo.

Tabela 16 – Inserção de elementos multimédia
Ocorrências por sítio Nº de sítios
Foram encontrados vários elementos <embed> sem conteúdo alternativo equivalente 78 23%
Foram encontrados vários elementos <iframe> sem título 161 48%
Foram localizados vários elemntos <object> sem conteúdo alternativo 98 29%
Total de sítios 336  

Não se efetuou uma análise ao conteúdo multimédia neste estudo. Contudo, da observação empírica, aquando da recolha da informação, não se constatou a existência de vídeos e/ou peças de áudio com recurso a legendagem, audiodescrição ou língua gestual portuguesa. Não é, de todo, prática comum nos sítios Web dos estabelecimentos de Ensino Superior.

Gramática de (x)HTML

Dos 262 sítios analisados pelo validador do W3C, apenas foi localizado 1 sítio invicto de erros gramaticais de (x)HTML. 75% dos sítios têm mais de 15 páginas com erros de (x)HTML.

Tabela 17 - % de sítios com declaração gramatical de (x)HTML
Ocorrências por sítio Nº de sítios
Há declaração de DTD 174 66%
Não há declaração de DTD 88 34%
Total de sítios analisados pelo validados W3C p/ HTML 262  

Da observação da tabela anterior pode-se concluir que os sítios Web do Ensino Superior usam gramáticas de marcação de conteúdos modernas. Cerca de 80% dos sítios usam gramáticas superiores a XHTML 4.01. Esta prática é potencialmente positiva para as questões de acessibilidade, uma vez que obriga a uma escrita mais rigorosa do código. 20% das páginas usam já HTML5.

Tabela 18 – Gramáticas de (x)HTML utilizadas no Ensino Superior (DTD) por página
Ocorrências Nº de páginas
HTML5 3557 19,4%
XHTML1.1 262 1,4%
XHTML1.0 10342 56,4%
XHTML4.01 transitional 2561 14,0%
XHTML4.01 frameset 11 0,0%
XHTML4.01 446 2,4%
XHTML4.0 transitional 181 0,9%
Sem <!doctype…> 971 5,3%
Total de páginas 18331  

Para efeitos comparativos com outras amostras deixamos o número de elementos e atributos obsoletos encontrados, respetivamente 132117 e 293234, ou seja um rácio por página de 7 elementos e 16 atributos. Como se observa nas tabelas abaixo, o uso de atributos obsoletos afeta cerca de 90% dos sítios da amostra ao passo que os elementos obsoletos apenas foram encontrados em 27% dos sítios.

Tabela 19 - Elementos de HTML para controlo da apresentação
Ocorrências por sítio Web Nº de sítios
Foram encontrados elementos para controlar a apresentação visual 90 27%
Foram encontrados elementos para controlar a apresentação visual entre 1 a 2 páginas por sítio 31 9%
Total de sítios 336  

O uso do elemento <marquee>, elemento que não faz parte do standard de HTML e que permite afixar texto em movimento, é bastante prejudicial a utilizadores com baixa visão. Este elemento foi localizado em 27 (8%) sítios da amostra, sem qualquer mecanismo que permita interromper o movimento do conteúdo.

Tabela 20 - Atributos de HTML para controlo da apresentação
Ocorrências por sítio Web Nº de sítios
Foram localizados n atributos para controlar a apresentação visual 301 90%
Foram localizados n atributos para controlar a apresentação visual entre 1 a 8 páginas 78 23%
Total de sítios 336  

Tamanho de letra (unidade de medida)

Esta é uma área que está novamente em voga pela introdução massiva de dispositivos móveis. Os smartphones e os tablets fizeram surgir inclusivamente novas áreas de estudo no campo do Design. É o caso das técnicas de Responsive Layout, que faz com que o conteúdo se adapte às diversas dimensões de um ecrã. Esta técnica não é nova para quem trabalha em acessibilidade. Duas regras dessa técnica são o uso de unidades de medida relativas para dimensionar os tamanhos dos caracteres e a largura e altura das caixas que contêm o conteúdo. Como se observa na tabela seguinte, o uso de unidades relativas não é uma prática usual no Ensino Superior.

Tabela 21 - Unidades de medida absolutas no tamanho da letra
Ocorrências por sítio Web Nº de sítios
Foram identificados vários casos em que se usam unidades de medida expressas em valores absolutos no tamanho de letra 223 67%
Foram identificados vários casos em que se utilizam unidades de medida absoluta na definição da largura das caixas 260 78%
Total de sítios 336  

Formulários

Um dos elementos úteis para agregar informação num formulário é o <fieldset>. Como se pode observar na tabela abaixo apenas foram localizados elementos <fieldset> sem legenda em 12% dos sítios Web, mas se observamos a amostra por elementos, dos 1603 elementos <fieldset> encontrados 73% não têm a legenda respetiva.

Tabela 22 – Utilização do elemento <fieldset>
Ocorrências por sítio Web Nº de sítios
Foram encontrados elementos <fieldset> sem descrição 36 12%
Foram encontrados elementos <fieldset> fora do formulário 8 3%
Total de sítios com formulários 311  

Outro elemento necessário à marcação explicita de relações num formulário é o elemento <label>. O <label> tem por função explicitar a relação entre o controlo e a etiqueta que o contextualiza.

Tabela 23 – Utilização do elemento <label>
Ocorrências por sítio Web Nº de sítios
Foram identificados elementos <label> sem o atributo for 59 19%
Foram localizados elementos <label> incorretamente posicionados 8 3%
Foram encontrados elementos <label> sem conteúdo 31 10%
Total de sítios com formulários 311  

Geralmente ao elemento <label> encontra-se sempre associado um elemento <input>. Para que o utilizador saiba o que fazer com o elemento de controlo <input> (campo de edição de texto, botão de verificação, botão de rádio, ...) é necessário fornecer informação complementar.

Tabela 24 – Utilização do elemento <input>
Ocorrências por sítio Web Nº de sítios
Foram identificados elementos <input> sem etiquetas associadas e sem o atributo title 230 74%
Foram encontrados elementos <input> com o atributo alt que não são botões gráficos de envio 54 17%
Foram encontrados elementos <input> sem o elemento <label> associado 152 49%
Total de sítios com formulários 311  

Esta informação pode ser dada pelo elemento <label>, pelo próprio elemento <input> ou por ambos. Por esse motivo, em termos de verificação de acessibilidade, é importante analisar os dois elementos em conjunto. 74% dos sítios do Ensino Superior não têm os campos de edição devidamente marcados (ver quadro acima).

Hiperligações e Listas de Hiperligações (Menus)

Da lista de ocorrências sintetizada na tabela abaixo destacamos a existência de hiperligações-imagem sem legenda que foi localizada em 84% dos sítios. Este é um dos erros mais graves em acessibilidade. Uma imagem, que constitui o único elemento de uma hiperligação, sem legenda, é um autêntico buraco negro não dando ao utilizador que não consiga ver a imagem, por qualquer razão, quaisquer indicações do destino da ligação.

Tabela 25 – Principais problemas encontrados nas Hiperligações
Ocorrências por sítio Web Nº de sítios
Foram encontradas várias hiperligações em que o conteúdo é composto apenas por uma imagem não legendada 282 84%
Foram identificados vários casos em que o atributo title do elemento da hiperligação se limita a repetir o texto existente na própria hiperligação 253 76%
Foram encontrados vários casos em que existem hiperligações adjacentes com o mesmo valor colocado no atributo href 182 54%
Foram localizadas várias hiperligações com o mesmo texto que apontam destinos diferentes 325 97%
Constatou-se que a primeira hiperligação da página não nos conduz até à área do conteúdo principal 319 95%
Total de sítios Web da amostra 336  

O uso indiscriminado de quebras de linha: o indicador recolhido automaticamente pelo AccessMonitor que nos mostra que “foram encontradas várias sequências de 3 ou mais elementos <br> (i.e. quebras de linha, em HTML)” em 257 sítios da amostra (77%), indicia a existência de possíveis falsas listas, ou seja listas que não estão marcadas como listas. A incorreta marcação de listas provoca problemas semânticos, fazendo com que as tecnologias, em particular as tecnologias de apoio, “percebam mal” a estrutura da informação e a usem para a passar ao utilizador. Sem uma estrutura da informação correta, os utilizadores ficam confrontados com “montes” de texto e não com um documento estruturado.

Relembramos que uma lista deve ser marcada de acordo com o seu significado. Por exemplo, em HTML <ul>, <ol> e <dl> são interpretados pelas tecnologias respetivamente como listas não ordenadas, listas ordenadas ou listas de definição.

De notar ainda que em 75 sítios Web (22%) foram encontrados elementos <li> (list item) fora de uma estrutura de lista. Para um profissional de marcação de conteúdos digitais, isto só pode ser interpretado como um “descuido” e que precisa de imediata correcção.

Idioma principal da página

Em 186 sítios constatou-se que existem páginas cuja marcação do idioma principal não se encontra marcado.

Exemplo de marcação do idioma principal em Português numa página XHTML.

Cabeçalhos

Da tabela abaixo destacamos o facto de em 67% dos sítios do Ensino Superior existirem páginas sem a marcação de cabeçalhos.

Tabela 26 – Principais problemas de marcação de cabeçalhos
Ocorrências por sítio Web Nº de sítios
Constatou-se que não existem cabeçalhos marcados na página 223 67%
Foram encontrados vários elementos cabeçalho 112 33%
Não existe o cabeçalho principal <h1> da página 181 54%
Foram encontrados vários cabeçalhos cujo conteúdo é apenas uma imagem sem legenda 23 7%
Foram encontrados vários casos em que os cabeçalhos não respeitam a cadeia hierárquica 241 72%
Total de sítios Web da amostra 336  

Teclas de atalho

Um erro típico na utilização das teclas de atalho é usar a mesma tecla de atalho em vários pontos de uma mesma página. Este é um erro que foi localizado em 20 sítios da amostra.

Tabelas layout e de dados

Em 228 sítios Web (68%) foram encontradas várias tabelas encadeadas, o que indicia claramente a existência do uso do elemento <table> para formatar páginas – as chamadas tabelas layout. Esta prática deve ser totalmente eliminada.

Em 299 sítios Web (89%) foram encontradas tabelas sem os respetivos cabeçalhos. Depois de limpar o sítio Web de todas as tabelas layout, deve marcar as tabelas de dados, da seguinte forma:

Nota importante: mais uma vez sublinhamos que a prática anterior de marcação se destina apenas a tabelas de dados.

Conclusão - discussão dos resultados

A conformidade para com as WCAG 2.0

Nenhum dos 336 sítios Web analisados se encontra em conformidade ‘A’ das WCAG 2.0, os requisitos mínimos de acessibilidade do W3C.

Índice AccessMonitor por distrito
Figura 9: índice AccessMonitor por distrito. (1) Guarda; (2) Aveiro; (3) Beja; (4) Braga; (5) Bragança; (6) Castelo Branco; (7) Coimbra; (8) Évora; (9) Faro; (10) Leiria; (11) Lisboa; (12) Portalegre; (13) Santarém; (14) Setúbal; (15) Viana do Castelo; (16) Vila Real; (17) Viseu; (18) Porto; (19) Região Autónoma da Madeira; (20) Região Autónoma dos Açores.

O gráfico da figura anterior mostra a classificação média por distrito e região autónoma atribuída pelo AccessMonitor. Para atingir a nota máxima do validador é necessário quase em todos os distritos duplicar o esforço no sentido da conformidade dos conteúdos para com as diretrizes de acessibilidade. A média 5,3 e a observação do gráfico anterior mostra que não há diferenças assinaláveis entre os diversos sítios Web estudados, pelo menos quando agregados em distritos.

O uso do símbolo de acessibilidade Web


Figura 10: O uso do Símbolo de Acessibilidade Web nos sítios portugueses. Ensino Superior (2013); Municípios (2009); Adm. Central (2010)

No que diz respeito à afixação do símbolo de acessibilidade à Web, 17,5% dos sítios do Ensino Superior têm este símbolo afixado na primeira página. Este indicador é praticamente metade do registado no estudo sobre Municípios Portugueses (2009) em que 37,5% dos sítios tinham o símbolo e muito inferior aos 89% registado no estudo da AP Central (2010).

Geralmente os estudos nacionais de acessibilidade para os conteúdos da Web ficam-se pelas conclusões relativas ao nível de conformidade, pela contabilização do número de erros em cada um desses níveis e pela recolha da presença do símbolo de acessibilidade à Web na primeira página. No presente estudo descemos a uma análise por elemento.

Análise por elementos

A nível nacional, o estudo sobre os Municípios Portugueses realizado em 2009 desmonta os níveis de conformidade e analisa os próprios pontos de verificação das WCAG 1.0. A nível europeu, o único estudo que o faz também foi publicado em 2005 aquando da Presidência da União Europeia pelo Reino Unido com o título “eAccessibility of public sector services in the European Union”.

Este tipo de desmontagem por elementos nos estudos permite, apesar das alterações de metodologia que passou a incorporar as WCAG 2.0 em detrimento das WCAG 1.0, efetuar algumas comparações.

Em termos globais os valores de conformidade são, em todos eles, muito baixos: nenhum sítio em conformidade ‘A’ das WCAG 2.0 no presente estudo; 3% em conformidade ‘A’ para com as WCAG 1.0 no estudo “eAccessibility of public sector services in the European Union” e 4,1% em conformidade ‘A’ para com as WCAG 1.0 nos Municípios Portugueses.

Ao confrontar algumas das métricas destes dois estudos com as recolhidas no presente estudo verificamos que: