Categoria: Publicações

20 anos de acessibilidade Web para Cidadãos com Necessidades Especiais em Portugal

nota: o presente artigo foi publicado originalmente na Revista Diagrama – revista oficial da AMA – Agência para a Modernização Administrativa, em julho de 2017.

Autor: Jorge Fernandes [1]

Uma utilizadora usa um smartphone

Foi há 20 anos que se publicou em Portugal o Livro Verde para a Sociedade da Informação. Pela primeira vez, num documento de política pública, reconhecia-se nas características da Sociedade da Informação (SI) uma oportunidade à participação e à inclusão de pessoas com necessidades especiais, nomeadamente pessoas com limitações funcionais derivadas de uma deficiência ou incapacidade.

A Internet e a digitalização da informação são duas dessas características, que nos levou, em meados da década de 90, a pensar que estávamos à beira de uma revolução no que diz respeito ao acesso à informação e à comunicação, por parte de pessoas com limitações funcionais graves. Por exemplo, as pessoas cegas passariam, potencialmente, a aceder a um jornal diário; uma pessoa tetraplégica passaria, potencialmente, a ter na Internet uma via alternativa de ida ao banco ou fazer compras numa grande superfície; uma pessoa surda poderia, potencialmente, ver um qualquer vídeo com tradução em língua gestual portuguesa ou com legendagem.

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Sistemas acessíveis para ler eBooks em formato ePub3

Os eBooks, ou se preferir os livros eletrónicos, são hoje uma boa opção de leitura para quem utiliza tecnologias de apoio, como é o caso das pessoas com deficiência. O International Digital Publishing Forum (IDPF), o consórcio DAISY e o Book Industry Study Group (BISG) testaram um conjunto de sistemas de leitura em formato ePub3 com relação às suas funcionalidades de acessibilidade e produziram uma lista de sistemas acessíveis para ler eBooks em formato ePub3.

A Audiodescrição em Portugal

símbolo de audiodescrição

texto de Josélia Neves.

Sempre que alguém descreve alguma coisa verbalmente estará a fazer audiodescrição. Como tal, será absolutamente impossível traçar um historial que dê conta das variadíssimas manifestações de audiodescrição possíveis ou existentes.

A audiodescrição faz-se particularmente presente em contextos em que pessoas normovisuais convivem de forma estreita com pessoas cegas ou com baixa visão. De modo espontâneo ou organizado, são muitas as audiodescrições que se fazem no seio da família, na escola, em centros ocupacionais e de recuperação, em clubes ou em manifestações culturais de diversa índole especialmente direccionada para estes públicos específicos.

As raízes da audiodescrição em Portugal encontram-se em dois fenómenos populares que marcam o presente e o passado recente da cultura portuguesa. O primeiro, é o relato de jogos de futebol, que muito continuam a contribuir para uma fruição mais completa desta modalidade. O segundo, de tradição quase extinta, é a rádio novela, que durante anos povoou o imaginário de várias gerações. Um e outro, naquilo que têm em comum com as práticas de AD actuais e naquilo que dela se separam, trazem do passado técnicas que bem podiam ainda ser aproveitadas neste domínio.

Não sendo possível desenhar, de forma completa, a história da audiodescrição em Portugal pelo facto de muito se dar de forma espontânea e/ou amadora em círculos mais restritos, traçar-se-á aqui apenas a história recente da audiodescrição nos contextos de comunicação de massas de cariz comercial e de acções em espaços públicos.

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