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Candidaturas ao Prémio UNESCO que galardoa capacitação digital de pessoas com deficiência

Prémio UNESCO Émir Jaber al-Ahmad al-Jaber al-Sabah

Encontram-se abertas até 30 de setembro as candidaturas à edição 2018/19 do Prémio UNESCO Émir Jaber al-Ahmad al-Jaber al-Sabah, que pretende evidenciar a autonomização das pessoas pessoas com limitações funcionais através das tecnologias digitais.

A maior missão deste prémio bienal é promover a inclusão de pessoas com deficiência na sociedade, removendo as barreiras de acesso à informação e conhecimento e aplicando técnicas de aprendizagem nas Tecnologias de Informação e Comunicação, usando a aplicação eficaz, inovadora e inclusiva de soluções digitais.

Nesse sentido, as submissões de trabalho devem ser feitas por candidatos (pessoas, instituições, organizações não-governamentais) que tenham exercido uma contribuição significativa para esta causa através da inclusão de pessoas com deficiência na sociedade. As candidaturas para o Prémio UNESCO Émir Jaber al-Ahmad al-Jaber al-Sabah devem ser apresentadas em inglês ou francês.

Segundo o Regulamento do concurso, as duas propostas vencedoras vão ser selecionadas pela Diretora-Geral da UNESCO, Audrey Azoulay, que terá como base as avaliações e recomendações de cinco jurados. O prémio de 40 000 dólares será dividido equitativamente pelos dois candidatos selecionados.

“Todas as candidaturas devem ter o apoio do governo do país-membro, após consulta junto da respetiva Comissão Nacional da UNESCO. Os países-membros deverão enviar uma recomendação escrita para apoio do projeto candidato” refere a Comissão Nacional da UNESCO. É ainda alertado que todas as candidaturas individuais sem esta nomeação não serão consideradas.

Os interessados que pretendem receber um eventual apoio devem submeter a candidatura até ao dia 7 de setembro junto da Comissão Nacional da UNESCO.

BNP lança o Repositório Nacional de Objetos em Formatos Alternativos

RNOFA - Repositório Nacional de Objetos em Formatos Alternativos

No passado dia 2 de julho a Biblioteca Nacional de Portugal colocou online o RNOFA – Repositório Nacional de Objetos em Formatos Alternativos.

O RNOFA conta com o apoio da Fundação para a Ciência e a Tecnologia. O Departamento da Sociedade da Informação da FCT, no qual a Unidade ACESSO está integrada, financiou toda a infraestrutura necessária para colocar esta importante ferramenta de apoio em funcionamento.

Há muito que a equipa da Unidade ACESSO da FCT persegue o objetivo de criar em Portugal um canal de distribuição de livros acessíveis. Esse objetivo intensificou-se em setembro de 2010 aquando da assinatura do Memorando de Entendimento entre os principais editores europeus e as instituições europeias representantes de pessoas com deficiência. Na mesma linha a equipa da Unidade ACESSO acompanhou de perto o Tratado de Marraquexe e foi quem o traduziu para a língua portuguesa.

A Fome de Livros, um termo cunhado por George Kersher do consórcio DAISY expressa-se no facto de que no mundo desenvolvido, todos os anos, do total de livros publicados apenas 7% são adaptados para um formato acessível para pessoas com incapacidade para ler ou manusear material impresso. Na Europa, nos Estados Unidos, no mundo desenvolvido, as pessoas com incapacidade para ler ou manusear material impresso têm a sorte de ter acesso a 7% dos livros publicados nos seus países, pois no mundo em vias de desenvolvimento, esta percentagem é bastante mais próxima do 1%. Isto é um problema, principalmente quando se sabe, segundo dados da União Mundial de Cegos, que 80% das pessoas cegas e com baixa visão a nível mundial vivem no mundo em vias de desenvolvimento. Significa isto que há milhões de pessoas que vivem sem acesso à palavra escrita. E isto não se deve à falta de capacidade tecnológica.

Os repositórios digitais como o RNOFA são um importante instrumento de inclusão. Com a sua abertura, o RNOFA disponibiliza desde já 3724 livros em braille impresso, 307 livros em braille digital, 2198 audiolivros e 1098 livros em texto digital, produzidos pela Área de Leitura para Deficientes Visuais da Biblioteca Nacional de Portugal (BNP-ALDV).

O RNOFA está aberto a novos produtores e distribuidores de acervo acessível, o que irá adensar o seu catálogo de oferta. No dia 2 de julho assinaram protocolo de cooperação o Instituto Nacional para a Reabilitação, I.P, a Associação dos Cegos e Amblíopes de Portugal e o Centro Professor Albuquerque e Castro da Santa Casa da Misericórdia do Porto. Irão brevemente também assinar, a Biblioteca Municipal do Porto e a Biblioteca Municipal de Vila Nova de Gaia.

PDFs em formato Universal Access a partir do Google Docs

Materiais Educativos em formatos Acessíveis - aluno cego lê um livro num tablet através do sintetizador de fala

A produção de ficheiros em formato PDF que possam ser lidos por utilizadores que usam tecnologias de apoio não é uma tarefa fácil. Apesar de existir uma norma já desde 2012 e atualizada em 2014 (ISO 14289-1:2014 – PDF/UA) que descreve com detalhe quais os cuidados a ter para que um documento digital possa ser acessível, o problema reside em localizar um editor de texto que comporte estas práticas e que, no momento da conversão para formato PDF, os conversores disponíveis não destruam essas práticas – resultando num PDF final completamente inacessível.

A GrackleDocs.com propõe um processo de produção muito simples. Partindo do editor Google Docs online, disponibilizou um “add-on” que valida o documento, orienta a correção e, no final do processo, disponibiliza a opção de conversão de um documento Google Docs num documento em formato PDF/UA. UA é a abreviatura de Acessibilidade Universal, preservando este PDF uma ordem de leitura adequada por exemplo a quem usa leitores de ecrã com sintetizadores de fala, preserva a estrutura de cabeçalhos, parágrafos, tabelas de dados, bem como os equivalentes textuais alternativos dos gráficos e diagramas. Durante o processo de revisão o sistema ainda chama a atenção para as cores usadas na letra e no fundo, e ainda para o tamanho da letra a usar.

Uma excelente ferramenta para quem precisa de produzir ficheiros PDF em conformidade para com as Web Content Accessibility Guidelines. Esperemos que a Google e outros grandes fabricantes de aplicações de edição e gestão de conteúdos digitais sigam o exemplo.

FCT integra consórcio do projeto WAI-Tools

Bandeira da União Europeia

WAI-Tools

projeto co-financiado pela Comissão Europeia
programa Horizon 2020 – Innovation Action
GA 780057

A Unidade ACESSO da FCT é parceiro do projeto WAI-Tools – Advanced Decision Support Tools for Scalable Web Accessibility Assessments, um projeto co-financiado pela Comissão Europeia ao abrigo do Programa Horizon 2020 (GA 780057). O WAI-Tools iniciou-se a 1 de novembro de 2017 e tem a duração de três anos.

Portugal e a Noruega participam no projeto com os seus Observatórios de Acessibilidade Web para a Administração Pública. No caso da Noruega com uma metodologia de análise manual pericial e no caso de Portugal com uma metodologia de análise automática. Com o WAI-Tools, o AccessMonitor irá experimentar uma nova bateria de testes que resultará do próprio projeto. Para além disso vai ser possível (re)utilizar o código fonte do AccessMonitor nomeadamente para dar corpo a Observatórios semelhantes em vários países.

Referências:

Guia da União Mundial de Cegos para o Tratado de Marraquexe

capa da publicação

A União Mundial de Cegos (UMC) tem acompanhado o Tratado de Marraquexe desde o seu início, e em parceria com a Organização Mundial da Propriedade Intelectual (OMPI) tem liderado a campanha internacional para promoção e implementação do tratado.

No seguimento desta linha de atuação, a UMC publicou o Guia para o Tratado de Marraquexe com a intenção de ajudar os governos que ratificaram o tratado a incorporá-lo nos seus sistemas legais. Além disso, é também uma ferramenta útil para as organizações representativas dos direitos das pessoas com deficiência, para outros grupos da sociedade civil ou até para os próprios indivíduos ao advogar a ratificação e implementação do Tratado de Marraquexe.

A publicação encontra-se disponível em Inglês, Espanhol e Francês e pode ser descarregada em: Guia completo.

Está também disponível a versão do Guia de bolso em Inglês.

O Tratado de Marraquexe na União Europeia

Foram adotados uma Diretiva e um Regulamento destinados à implementação do Tratado de Marraquexe na lei da UE, de modo a facilitar o acesso a obras publicadas a pessoas cegas, com incapacidade visual, ou com outras dificuldades em aceder ao texto impresso, permitindo o acesso a livros e outros materiais em formatos acessíveis.

A Diretiva e o Regulamento foram publicados no Jornal Oficial no dia 20 de setembro de 2017.

A Diretiva sobre a permissão de certas utilizações de certas obras e outros materiais impressos protegidos por direitos de autor e direitos conexos em benefício das pessoas cegas, com incapacidade visual ou com outras dificuldades em aceder ao texto impresso, estabelecerá uma exceção obrigatória.

Versão portuguesa da Diretiva 2017/1564: HTML; PDF; Jornal Oficial.

O Regulamento para o intercâmbio transfronteiriço, entre a União e países terceiros, de cópias em formatos acessíveis e outros materiais impressos protegidos por direitos de autor e direitos conexos em benefício das pessoas cegas, com incapacidade visual ou com outras dificuldades em aceder ao texto impresso, permitirá o intercâmbio transfronteiriço de tais cópias entre a UE e países terceiros que são Partes do Tratado.

Versão portuguesa do Regulamento 2017/1563: HTML; PDF; Jornal Oficial

Fonte: Sítio da Comissão Europeia

Mais informação sobre o Tratado de Marraquexe

20 anos de acessibilidade Web para Cidadãos com Necessidades Especiais em Portugal

nota: o presente artigo foi publicado originalmente na Revista Diagrama – revista oficial da AMA – Agência para a Modernização Administrativa, em junho de 2017.

Autor: Jorge Fernandes [1]

Uma utilizadora usa um smartphone

Foi há 20 anos que se publicou em Portugal o Livro Verde para a Sociedade da Informação. Pela primeira vez, num documento de política pública, reconhecia-se nas características da Sociedade da Informação (SI) uma oportunidade à participação e à inclusão de pessoas com necessidades especiais, nomeadamente pessoas com limitações funcionais derivadas de uma deficiência ou incapacidade.

A Internet e a digitalização da informação são duas dessas características, que nos levou, em meados da década de 90, a pensar que estávamos à beira de uma revolução no que diz respeito ao acesso à informação e à comunicação, por parte de pessoas com limitações funcionais graves. Por exemplo, as pessoas cegas passariam, potencialmente, a aceder a um jornal diário; uma pessoa tetraplégica passaria, potencialmente, a ter na Internet uma via alternativa de ida ao banco ou fazer compras numa grande superfície; uma pessoa surda poderia, potencialmente, ver um qualquer vídeo com tradução em língua gestual portuguesa ou com legendagem.

Leia mais sobre os 20 de acessibilidade web para cidadãos com necessidades especiais em Portugal

Audiodescrição transmitida pela RTP não está a chegar aos potenciais espetadores

RTP - Rádio e Televisão de Portugal

85% dos respondentes com deficiência visual dizem nunca terem visto nenhuma das séries transmitidas pela RTP com audiodescrição.

Dos que nunca viram, 68% dizem que desconheciam que as séries estavam a ser transmitidas com audiodescrição.

Dos que dizem já ter visto, 58% fizeram-no via rádio, sintonizando a Onda Média da Antena 1.

Já não disporem de Televisão Digital Terrestre e não terem um aparelho de rádio com Onda Média ou não conseguirem sintonizá-lo em boas condições de receção são também razões apontadas pelos potenciais espetadores para nunca terem tido a oportunidade de assistirem a uma emissão com audiodescrição.

O presente estudo foi da responsabilidade da equipa da Unidade ACESSO do Departamento da Sociedade da Informação da Fundação para a Ciência e a Tecnologia e foi realizado durante o mês de novembro de 2016.

Estudo sobre a receção de audiodescrição transmitida pela RTP.