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A cefaleia em salvas é um tipo de dor de cabeça (ou cefaleia) muito intensa que atinge a área em volta de um dos olhos ou a região temporal (têmpora) e que irradia para a região da face, maxilares ou pescoço. As crises afectam apenas um dos lados da cabeça e têm uma duração entre 15 minutos a 3 horas. A maioria das crises de dor surgem à noite, acordando o doente. Estas crises podem repetir-se várias vezes por dia (até 8 por dia), durante várias semanas ou meses (por isso denomina-se cefaleia em salvas). Em média, ocorre um a três episódios de cefaleia por dia durante quatro a oito semanas. Após este período de crises, pode haver um período sem qualquer episódio durante meses ou mesmo anos.

Este tipo de cefaleia afecta os homens com muito mais frequência do que as mulheres. A causa da cefaleia em salvas não é conhecida mas parece estar relacionada com alterações no hipotálamo, uma zona do cérebro que controla o "relógio biológico".

Algumas pessoas conseguem identificar factores que desencadeiam esta dor de cabeça, nomeadamente:

  • Bebidas alcoólicas – factor desencadeante mais comum
  • Tempo quente ou banhos quentes
Lista de Características
Cefaleia em Salvas

As manifestações da cefaleia em salvas incluem:

  • Dor intensa localizada em redor de um olho (no olho, à sua volta ou atrás dele), que pode irradiar para os maxilares e queixo. A dor é excruciante, como uma facada ou tipo queimadura, e habitualmente atinge a intensidade máxima ao fim de cinco minutos.
  • Olho vermelho ou lacrimejante, do lado afectado
  • Pupila mais pequena e/ou olho mais fechado, do lado afectado
  • Edema (inchaço) da pálpebra, do lado afectado
  • Nariz a pingar ou obstrução nasal, do lado afectado
  • Rubor ou sudação da face, do lado afectado

Tipicamente, a dor é sempre do mesmo lado da cabeça (é fixa). Os surtos podem ser sazonais, surgindo sempre na mesma altura do ano. Durante o período de surtos, as crises tendem a ocorrer sempre à mesma hora. A crise mais típica surge duas horas após o doente adormecer.

Muitas pessoas com cefaleia em salvas ficam agitadas e não conseguem ficar quietas durante a crise. Isto contrasta com as pessoas que têm cefaleia tipo enxaqueca, que têm tendência para procurar um quarto escuro e silencioso.

O médico irá colocar questões relativamente à história médica e às características da cefaleia, o que irá ajudar a diferenciar a cefaleia em salvas de outras situações clínicas.

O médico também irá realizar o exame físico e neurológico para excluir outras causas possíveis das dores de cabeça. Se o exame for normal e as dores de cabeça corresponderem ao padrão de cefaleia em salvas típico, pode não ser necessário realizar qualquer exame adicional. No entanto, em caso de manifestações clínicas atípicas ou de dúvidas no diagnóstico, o médico pode pedir exames, nomeadamente uma tomografia computorizada (TC) ou uma ressonância magnética (RM) do crânio.

De um modo geral, os surtos de cefaleia em salvas têm uma duração entre 15 minutos a três horas e têm tendência para ocorrer uma a três vezes por dia durante quatro a oito semanas.

Após um período de salvas, o doente pode permanecer sem dores de cabeça durante muitos meses ou, algumas vezes, anos. No entanto, cerca de 10 a 15% dos doentes têm sintomas crónicos, sem remissões.

A causa da cefaleia em salvas permanece um mistério e por isso não é possível evitar o primeiro episódio.

No entanto, por vezes é possível evitar futuras crises com algumas medidas gerais, nomeadamente:

  • Evitar o álcool
  • Não fumar
  • Manter um padrão de sono regular
  • Identificar e evitar os factores que desencadeiam a dor de cabeça

A inalação de oxigénio a 100% através de uma máscara facial durante cerca de 15 minutos pode ajudar mas deve ser iniciada aquando dos primeiros sintomas de uma crise para ser eficaz. O oxigénio deve ser prescrito por um médico. O doente precisa de uma botija, de um regulador de caudal e de uma máscara do fornecedor.

Certos medicamentos podem ser eficazes quando usados no início da crise, nomeadamente:

  • Triptanos, como é o caso do sumatriptano administrado habitualmente por injecção subcutânea (é possível a auto-administração). Contudo, este fármaco está contra-indicado em caso de hipertensão não controlada, doença cardíaca coronária ou doença vascular cerebral
  • Derivados ergotamínicos – pouco usados em Portugal
  • Lidocaína intranasal– segura mas apenas ocasionalmente eficaz

A combinação de oxigénio a 100% com um triptano pode ser particularmente eficaz. No entanto, não se deve combinar um derivado ergotamínico com um triptano.

É provável que o médico sugira uma terapêutica preventiva para ajudar a diminuir a frequência das crises de cefaleia e para reduzir a duração do período de surtos. Com este fim, pode ser prescrito um dos seguintes medicamentos:

  • Verapamil (bloqueador dos canais de cálcio) - É geralmente o mais eficaz. No entanto, pode demorar uma semana ou duas até surtir efeito.
  • Prednisona (corticóide) – Usa-se por períodos curtos e nas formas episódicas desta cefaleia. Pode ser combinada com o verapamil aquando do início do surto de cefaleia em salvas. A dose de prednisona é progressivamente reduzida ao longo de 7 a 10 dias
  • Outros: carbonato de lítio, topiramato, valproato de sódio, etc.

Estes medicamentos devem ser tomados diariamente durante o período de crises.

Não fique desanimado se a primeira estratégia terapêutica não for bem sucedida. O seu médico pode prescrever outros planos de tratamento para encontrar aquele que resulta melhor para si.

Em situações muito raras, pode ponderar-se uma neurocirurgia para os casos que não respondem aos medicamentos. As intervenções cirúrgicas, que incluem o bloqueio permanente de nervos ou a implantação de eléctrodos no cérebro, têm sucesso variável e realizam-se apenas em centros muito especializados.

As situações em que deve consultar o seu médico incluem:

  • dores de cabeça que se agravam ao longo do tempo
  • dor de cabeça de início recente numa pessoa com idade superior a 40 anos
  • dores de cabeça intensas que têm início subitamente (dores de cabeça explosivas)
  • dores de cabeça que se agravam com o exercício físico, com as relações sexuais, com a tosse ou com os espirros
  • dores de cabeça que se acompanham de perda do conhecimento (“desmaio”), perda de visão ou dificuldade na marcha ou em falar
  • dores de cabeça que se iniciam depois de um traumatismo crânio-encefálico.

Além disso, deve consultar o seu médico se tiver dores de cabeça que não melhoram com os medicamentos, que são diárias ou que perturbam a actividade profissional e as actividades do quotidiano.

Caso tenha episódios de dores de cabeça com as características de cefaleia em salvas, deve procurar um médico imediatamente (preferencialmente um Neurologista), para que obtenha o diagnóstico e tratamento adequados. Habitualmente este tipo de cefaleia não responde aos analgésicos vulgares.

Até ao momento ainda não foi identificada nenhuma terapêutica ou alteração no estilo de vida que possa evitar permanentemente a cefaleia em salvas. O tratamento médico pode ajudar muito a reduzir os períodos activos e a diminuir o número e gravidade dos episódios dolorosos.

Sociedade Portuguesa de Neurologia
http://www.spneurologia.org

Sociedade Portuguesa de Cefaleias
http://www.cefaleias-spc.com

World Headache Alliance (WHA)
http://www.w-h-a.org

National Institute of Neurological Disorders and Stroke
http://www.ninds.nih.gov

National Headache Foundation
http://www.headaches.org

American Council for Headache Education (ACHE)
http://www.achenet.org

Organisation for the Understanding of Cluster Headaches
http://www.clusterheadaches.org.uk

Alto Comissariado da Saúde
http://www.acs.min-saude.pt

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